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iPads mostraram-se tão eficientes quanto sedativos em crianças que serão operadas

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Uma nova pesquisa apresentada no Congresso Mundial de Anestesistas (WCA, na sigla em inglês), que acontece em Hong Kong durante o período de 28 de agosto a 02 de setembro, mostra que permitir que crianças usem iPads para se distraír antes de serem submetidas a cirurgias que requerem anestesia geral é tão eficiente para diminuir a ansiedade quanto sedativos convencionais. Além disso, a satisfação dos pais e a qualidade da indução da anestesia foram maiores em crianças que utilizaram o iPad. O estudo foi realizado pelo doutor Dominique Chassard, do Hôpital Femme, Mère, Enfant e do Hospices Civils de Lyon, em Bron, França, e colegas.

Ferramentas interativas em aparelhos móveis já haviam se mostrado eficientes em reduzir a ansiedade infantil quando elas são separadas dos pais na sala de operações. O objetivo do autor neste estudo foi comparar os efeitos do midazolam (um sedativo usado regularmente antes da anestesia) na pré-medicação com os efeitos de aplicativos de jogos (em um iPad) indicados para a idade das crianças de 4 a 10 anos durante e depois do dia da cirurgia no ambulatório. A ansiedade foi avaliada tanto nas crianças quanto nos pais.

As crianças foram aleatoriamente colocadas em um dos dois grupos: 54 receberam o midazolam e 58 receberam o iPad. Para os membros do primeiro grupo, foram administrados 0.3 mg de midazolam por quilograma. Os membros do segundo grupo receberam um iPad 20 minutos antes da anestesia. A ansiedade infantil foi medida por dois psicólogos independentes em quatro estágios, utilizando a escala de ansiedade pré-operatória de Yale modificada (EAPY-m): o primeiro momento foi na chegada ao hospital; depois, na separação dos pais; em seguida, durante a indução da anestesia e, finalmente, na unidade de cuidado pós anestesia (PACU, na sigla em inglês). A ansiedade dos pais foi medida nos mesmos momentos, exceto na indução da anestesia, já que não estavam presentes nesse ponto, utilizando Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE). Enfermeiras anestesistas classificaram a qualidade da indução da anestesia de 0 (não satisfeito) a 10 (muito satisfeito).

Então, 30 minutos depois que as crianças receberam a última dose de anestésico ou 45 minutos depois de chegaram na PACU, elas foram transferidas para a ala do ambulatório cirúrgico onde a ansiedade infantil e parental foram medidas pela última vez, utilizando as mesmas escalas já citadas. Além disso, a satisfação dos pais com o procedimento de anestesia foi classificado de 0 a 10. Mudanças comportamentais pós-operatórias foram avaliadas utilizando o Questionário de Comportamento Pós Hospital (PHBQ, na sigla em inglês).

Os pesquisadores descobriram que os níveis de ansiedade parental e infantil foram similares em ambos os grupos, com um padrão semelhante de evolução. Tanto pais quanto enfermeiras avaliaram a anestesia do grupo do iPad como mais satisfatória.

O doutor Chassard conclui: "Nosso estudo mostrou que a ansiedade dos pais e crianças antes da anestesia foram igualmente atenuadas pelo midazolam e pelo uso do iPad. No entanto, a qualidade da indução da anestesia, bem como a satisfação dos pais, foram julgadas como superiores no grupo do iPad. O uso de iPads ou outros tablets é uma ferramenta não medicamentosa que pode reduzir o estresse pré-operatório sem efeitos do sedativo em cirurgias pediátricas.’’

 

World Federation of Societies of Anaesthesiologists
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