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Japão tem tecnologia para produzir etanol com resíduos agrícolas

Usando palha de arroz como matéria prima, os custos de importação e de produção são comparáveis 

Mircea Bezergheanu/Shutterstock
TÓQUIO (Reuters) – A japonesa Kawasaki Heavy Industries Ltd declarou, , no último dia 28 de maio, ter desenvolvido tecnologia para produzir combustível para carros a partir de resíduos agrícolas a um preço que permite competir com o etanol importado produzido a partir de fontes também utilizadas como alimento, como cana de açúcar [e o milho]. 

Substituir combustíveis fósseis por bioetanol para abastecer automóveis pode ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), gas que contribui para o efeito estufa, mas seu custo de produção e competição com suprimentos alimentares torna-o menos atraente.

De acordo com a empresa, um estudo de cinco anos subsidiado pelo governo japonês provou que a nova tecnologia da Kawasaki, se introduzida comercialmente, pode produzir etanol de palha de arroz a um custo de 40 yen (US$ 40 centavos) por litro. 

Somados os custos de coleta dos resíduos de palha das plantações de arroz no Japão, a produção custaria 80 yen por litro, explicou uma porta-voz da empresa. O valor equivale aos custos de importação do etanol do Brasil, que varia de 80 a 100 yen por litro, declarou um oficial do ministério da agricultura. 

Empresas japonesas de petróleo atualmente usam um aditivo produzido com etanol brasileiro para misturar com a gasolina e ajudar o quinto maior emissor de gases estufa do mundo em seus esforços para reduzir o aquecimento global.

A porta-voz da Kawasaki informou que a empresa não tem um plano específico para a produção comercial do etanol a partir de resíduos, e adicionou que a tecnologia seria competitiva em um país com amplos recursos de biomassa e baixos custos de mão de obra, como o Brasil e nações do Sudeste Asiático.

O governo japonês é mais cauteloso em relação ás perspectivas dessa tecnologia.

Quando o ministério da agricultura analisou a tecnologia de produção do bioetanol em setembro, avaliou que a produção comercial de etanol a partir de produção não-alimentícia deve levar cerca de 5 anos para se tornar economicamente viável.

(Reportagem de Risa Maeda; Edição de Aaron Sheldrick e Muralikumar Anantharaman) 30mai2013

sciam5ju2013