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Jatos observados na lua de Júpiter podem ser de água

O Telescópio Espacial Hubble observou possíveis plumas emanando do polo sul de Europa

K. Retherford/Southwest Research Institute
ÁGUA EM EUROPA: Possíveis plumas d’água saindo do polo sul de Europa foram encontradas pelo Telescópio Espacial Hubble. 
Por Alexandra Witze e revista Nature

A gelada lua de Júpiter, Europa, lar de um provável oceano subterrâneo, acabou de adicionar outro mistério a sua aparência exótica.

O Telescópio Espacial Hubble identificou possíveis plumas de água sendo lançadas do polo sul de Europa.  Os jatos se parecem com o gigantesco gêiser de água visto na lua Encélado, de Saturno.

Plumas em Europa poderiam ser ainda mais empolgantes por oferecerem a possibilidade de revelar um habitat subterrâneo que poderia até mesmo abrigar vida extraterrestre.

“Se isso for verdade, pode ser a maior notícia do Sistema Solar externo desde a descoberta da pluma de Encélado”, declara Robert Pappalardo, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, na Califórnia, que não se envolveu na pesquisa.

O trabalho, publicado em 12 de dezembro na Science, vem com várias ressalvas. Ainda que trabalhos teóricos anteriores tenham sugerido que poderiam existir plumas em Europa, indícios intrigantes delas não deram em nada.

Dessa vez, o Hubble encontrou as possíveis plumas em uma única observação. E se forem mesmo reais, essas plumas podem não estar conectadas ao profundo oceano subterrâneo da lua. “Essa é a primeira vez que descobrimos uma coisa assim, e precisamos voltar e olhar de novo”, explica Joachim Saur, cientista planetário da Universidade de Colônia na Alemanha, e um dos membros da equipe. 

Tentando de novo

Saur e seus colegas já tinham procurado plumas em Europa no passado, mas sem sucesso. Em 2012, a equipe decidiu tentar de novo.

 Usando uma câmera ultravioleta do Hubble, eles observaram Europa uma vez em novembro e uma em dezembro daquele ano. O estudo de novembro não encontrou nada, mas a exposição de 2,7 horas em dezembro identificou bolhas de hidrogênio e oxigênio perto do polo sul de Europa.

Seu tamanho, forma e composição química são melhor explicados por duas plumas de vapor d’água com aproximadamente 200 quilômetros de altura, explica Lorenz Roth, o líder da equipe e cientista planetário do Instituto de Pesquisa Southwest em San Antonio, no Texas.

Esse valor tem muitas vezes a altura das possíveis plumas de Europa calculadas por alguns teóricos. Isso significaria que jatos de Europa chegam mais alto que as erupções vulcânicas em Io, uma das luas de Júpiter, mas não tão alto quanto a pluma gigantesca de Encélado.

A equipe de Roth identificou as plumas quando Europa estava à maior distância de Júpiter. Alterações na crosta da lua, provocadas por forças gravitacionais entre a lua e o planeta, podem explicar porquê os pesquisadores não encontraram nenhuma pluma na observação realizada em novembro, quando Europa e Júpiter estavam próximos. “Talvez Europa só arrote de vez em quando”, brinca Pappalardo.

É possível que as plumas não cheguem à subsuperfície, observa Saur. O calor da fricção do gelo contra si mesmo pode derreter partes da crosta gelada e alimentar as plumas.

De qualquer forma, a descoberta poderia encorajar missões futuras.

Em 2022, a Agência Espacial Europeia planeja lançar uma sonda que exploraria Europa, além de Júpiter e suas outras luas. E Pappalardo lidera uma equipe da Nasa que está planejando uma possível sonda americana para Europa.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 12 de dezembro de 2013.