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Bronzeamento mais cancerígeno do que tabagismo

O FDA colocará novos sinais de advertência nos dispositivos e regulará as máquinas como outras que emitem radiação

Shutterstock
Por Dina Fine Maron

De acordo com as novas regras anunciadas em 29 de maio pelo FDA, o órgão do governo americano que regula alimentos e medicamentos, câmaras de bronzeamento artificial não serão mais consideradas tão inofensivas como fio dental ou um Band-Aid. Até então, o FDA tinha agrupado todos os três itens na mesma categoria de normas e nenhum deles precisava passar pela avaliação de peritos ou apresentar informações sobre saúde e segurança antes de serem comercializados.

A partir de agora, porém, o FDA tratará solários e “lâmpadas solares” como outras máquinas que expõem os usuários a uma radiação, como tomógrafos computadorizados. A nova medida é “muito importante para garantir que as pessoas que usam esses dispositivos de bronzeamento artificial estejam plenamente informadas sobre os riscos associados a eles”, justifica Nancy Stade, vice-diretora de políticas dos Centros para Dispositivos e Saúde Radiológica do FDA.

Dados compilados durante anos associaram lâmpadas solares (que emitem radiação de comprimentos de onda que não do ultravioleta ao infravermelho, usadas para fins terapêuticos ou bronzeamento artificial) a formas perigosas de radiação que causam câncer.

Estima-se que o bronzeamento artificial cause aproximadamente 419 mil casos de câncer de pele todos os anos, de acordo com dados atuais do Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). Isso é quase o dobro do número de casos de câncer de pulmão ligados ao tabagismo.

O melanoma, a forma mais letal de câncer de pele, é o segundo tipo de câncer mais comum entre americanas na faixa dos 20 anos e muitos especialistas apontam o aumento do uso de solários (e seu consequente risco elevado de melanoma) como um fator decisivo nesses números. Pessoas com menos de 35 anos que usam câmaras de bronzeamento e lâmpadas solares aumentam seus riscos de desenvolver melanoma em 59% e a probabilidade se agrava a cada sessão. Os dispositivos também foram associados a danos oculares, como cataratas.

Há cinco anos, a divisão de câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou os dispositivos na categoria de risco mais alta, definida como “cancerígeno para humanos”.

O bronzeamento é uma reação celular a lesões. Quando células cutâneas são danificadas por luz ultravioleta elas produzem mais pigmento, o que faz a pele parecer mais escura. Câmaras de bronzeamento emitem dois tipos de raios ultravioletas, chamados UVA e UVB. A exposição a esses raios pode danificar o DNA das células da pele, o que aumenta o risco de desenvolver câncer.

Como parte da nova medida do FDA, as câmaras de bronzeamento artificial agora virão com um novo rótulo de alerta mandatório, que aconselha os menores de 18 anos a não usar as lâmpadas solares (embora continue sendo legal fazer isso). Alertas também terão que aparecer em sites de salões de bronzeamento na internet, folhetos ou panfletos. As advertências salientarão que usuários enfrentam um risco maior de câncer de pele que aumenta com o uso repetitivo da lâmpada solar, e que os dispositivos não devem ser utilizados por pessoas com lesões abertas ou uma história familiar de câncer de pele.

Um painel que assessorou o FDA inicialmente havia sugerido essas mudanças há cerca de quatro anos. Em maio de 2013, o FDA finalmente propôs uma nova versão de regulamentos. Mas suas regras finais não incluíam o conselho de alguns membros do painel de especialistas, que sugeriram que o órgão americano proibisse menores de idade de usar câmaras de bronzeamento. Diversos estados americanos, no entanto, já fizeram isso, inclusive a Califórnia, o Illinois, Minnesota, Nevada, Oregon, Texas e Vermont.

A determinação final entrará em vigor daqui a 90 dias, de modo que os produtores de novos dispositivos terão de começar a submeter dados sobre segurança dos produtos ao FDA antes que eles recebam aprovação para colocá-los no mercado. Dispositivos existentes terão de obedecer às novas regras em um prazo de 450 dias.

Estima-se que nos Estados Unidos o negócio de bronzeamento artificial seja uma atividade de mais de US$ 2 bilhões. No Brasil e no estado australiano de New South Wales a prática foi completamente proibida. (No Brasil o bronzeamento para fins estéticos foi proibido pela ANVISA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, pela resolução nº 56, de 9 de novembro de 2009.) Enquanto isso, diversos países da União Europeia, inclusive o Reino Unido, a Áustria, França, Itália, Noruega e Islândia, interditaram o bronzeamento artificial para menores de idade.

Cãmaras de bronzeamento não protegem o usuário contra queimaduras de sol, porque o bronzeado resultante só oferece um fator de proteção solar (FPS) de cerca de 3. Em comparação, há protetores solares com FPS 15, 30, 55 ou mais.

 

 Sciam 29 de maio de 2014

sciam2jun2014