Sciam
Clique e assine Sciam
Notícias

Leões-africanos enfrentam mesmas ameaças que seus extintos ancestrais da Era Glacial

Redução no número de espécies de presas pode levar grandes felinos a terem mesmo destino de seus antecessores

Shutterstock
Estudo recentemente publicado na revista científica Ecography mostra muitas que espécies de grandes felinos que se extinguiram durante a Era Glacial - incluindo tigres-dente-de-sabre, leões-das-cavernas, leões-americanos e guepardos-americanos - experimentaram naquele período uma grande redução no número de espécies que caçavam como suas presas. Os grandes felinos de hoje enfrentam os mesmos desafios e a mesma escassez de alimento que atingiu seus ancestrais e, sem uma ação imediata, provavelmente terão o mesmo destino.

Liderada por cientistas das Universidades de Sussex, Aarhus, Gotemburgo e pela Unidade de Pesquisa da Conservação da Vida Selvagem (WildCRU, na sigla em inglês) da Universidade de Oxford, a equipe avaliou diversos fatores causadores de extinção durante a Era Glacial, procurando determinar se poderiam ser aplicados às populações atuais de grandes felinos. Utilizando uma nova base de dados global sobre a dieta de felinos chamada FelidDiet, a equipe encontrou a causa de extinção de vários gigantes do período pré-histórico. As descobertas mostram que, se esses animais estivessem vivos hoje, em média apenas 25% de suas presas preferidas ainda estariam disponíveis na natureza - a maior parte já se extinguiu, em parte devido à interferência humana. A equipe acredita que essa devastação nas espécies de presas foi um fator que contribuiu bastante para a extinção desses animais.

Ao tentar entender como um declínio semelhante no número de espécies de presas afetaria os grandes felinos de hoje, os pesquisadores estimaram que permaneceriam apenas 39% das presas de leões-africanos e 37% das presas de leopardos-nebulosos-de-bornéu. O artigo termina com um aviso grave, dizendo que se a tendência atual de desaparecimento de presas continuar, todas as espécies afetadas enfrentaram “um grande risco de extinção”.

Chris Sandom, que concebeu o estudo na WildCRU de Oxford, antes de se juntar à Universidade de Sussex, disse que “nossa pesquisa mostra claramente que se as presas primárias de um grande felino continuarem a diminuir nessa taxa, então esses animais - incluindo leões, tigres, leopardos e guepardos - estão em risco”.

“Quando as espécies de presas se extinguem ou estão susceptíveis à extinção há um sério risco para as espécies de grandes felinos que se alimentam delas - e agora sabemos que esta é a continuação de uma tendência infeliz que começou durante a última Era Glacial. Precisamos resistir a essa tendência de uma vez por todas e reforçar a necessidade urgente dos governos protegerem tanto as espécies de grandes felinos como as espécies que eles predam.”

David Macdonald, diretor da unidade WildCRU, disse que " o estudo das consequências da perda de presas - ‘defaunação’, no jargão - é sobre, na língua cotidiana, o ‘e se’; ou melhor, talvez, o "mas se apenas": sem as extinções do Pleistoceno, nas quais as impressões digitais da humanidade são todos incriminadoras, hoje haveria de uma a cinco espécies a mais de felídeos na maioria dos lugares. O aforismo de Churchill - de que aqueles os quais não conseguem aprender com a história estão condenados a repetí-la - estava dolorosamente em nossa mente quando vimos quantas das presas de leões na África Oriental e de leopardos-nublados na região Indo-Malaia pareciam estar indo pelo mesmo caminho que seus semelhantes de outras regiões.”

Dawn Burnham, outros co-autor da WildCRU disse que “o pensamento de ‘fora do meu quintal’ tomou sua parte em nossa parte do mundo onde, hoje, o único representante dos grandes felinos é o lince-euroasiático. Nossos cálculos sugerem que haveria ao menos mais três espécies, caso as espécies de presas tivessem sobrevivido para alimentá-los.”

Universidade de Oxford
Para assinar a revista Scientific American Brasil e ter acesso a mais conteúdo, visite: http://bit.ly/1N7apWq