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Divulgada nova lista de espécies ameaçadas

Novo levantamento contabiliza mais de 22 mil espécies ameaçadas de extinção 

IUCN
By John R. Platt

The views expressed are those of the author and are not necessarily those of Scientific American.

A mais recente atualização da Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN foi publicada em 17 de novembro de 2014 e, como você pode imaginar, não trouxe boas notícias. A Lista Vermelha, inventário  global de espécies, agora identifica 22.413 espécies como ameaçadas de extinção em todo o mundo.

Algumas das mais notáveis entre  as 310 espécies adicionadas à lista vermelha são objeto de intensa sobrepesca. A pior situação é a do baiacu Chinês (Takifugu chinensis), que teve um declínio populacional de 99,99 por cento ao longo dos últimos 40 anos e agora está criticamente ameaçada de extinção. O atum rabilho do Pacífico (Thunnus orientalis) foi avaliado como vulnerável à extinção, um degrau abaixo de "em perigo". Ele se soma a outra espécie de atum (T. thynnus), avaliada como ameaçada de extinção em 2011. Da mesma forma a enguia americana (Anguilla rostrata), que atraiu pescadores depois da quase extinção de enguias japonesas e europeias, foi listada como ameaçada.

O herculeana Labidura extinto

Nem todas as espécies excessivamente exploradas vivem no mar. A cobra chinesa (Naja atra), que é uma das espécies de animais mais exportadas da China continental, segundo a IUCN, para o mercado de alimentos de Hong Kong, foi adicionada à lista de vulnerável.

Infelizmente a atualização também define a situação de várias espécies não encontradas por décadas e agora são classificadas como extintas. Dois peixes que ocorriam na Turquia, o Gölcük (Aphanius splendens) e o pequeno Eğirdir (Pseudophoxinus handlirschi), foram aniquilados por peixes exóticos introduzidos no ambiente. Um peixe de Israel chamado de tristramella da mandíbula longa (Tristramella sacra) desapareceu depois que seu  hábitat, o pântano, foi destruído. A tesourinha gigante santa helena (Labidura herculeana), que viveu na ilha de Santa Helena, provavelmente foi dizimada por diversas espécies invasoras, incluindo ratos, camundongos e aranhas. Um molusco malaio chamado Plectostoma sciaphilum desapareceu após a extração de calcário destruir seu único habitat. Finalmente, um invertebrado chamado Geonemertes rodericana provavelmente desapareceu há quase 100 anos depois que sua única morada, na ilha de Rodrigues, no Oceano Índico, foi desmatada.

Estas extinções não serão as últimas. A atualização da Lista Vermelha também contém muito poucas espécies hoje são listadas como "criticamente em perigo (extinção presumida)." São espécies das quais não se tem registro por décadas, mas que cientistas ainda não desistiram de procurar.

A Lista Vermelha da IUCN tem crescido dramaticamente ao longo das últimas duas décadas, não apenas por causa da elevação do nível  de ameaças enfrentadas por espécies em todo o mundo, mas também por causa dos esforços para avaliar todas as espécies existentes. Ainda assim, tem limitações. Embora todos os mamíferos e as aves conhecidas tenham sido avaliados quanto ao seu risco de extinção, cientistas ainda não conseguiram determinar os riscos que enfrentam 56% dos répteis, 62% dos peixes, 94 % das plantas, 95,5% dos insetos e 99,997% dos cogumelos. Ao todo, a IUCN calcula que apenas 4% dos cerca de 1,73 milhões de espécies no planeta foram estudados o suficiente para permitir a compreensão da estabilidade e dos riscos de suas populações.

 

Sobre o autor: Duas vezes por semana, John Platt escreve sobre espécies ameaçadas de todo o mundo, mostrando não somente as causas de morte mas também o que está sendo feito para resgatá-los do esquecimento. Twitter @ johnrplatt.d 

Scientific American 18 de novembro de 2014