Notícias
  
22 de setembro de 2008
Livre-arbítrio e programação cerebral
Se nossos atos são determinados por acontecimentos anteriores, então não temos escolha sobre nada - nem responsabilidade sobre o que fazemos?
por Shaun Nichols
Istockphoto/Janne Ahvo
Cientistas e filósofos estão convencidos de que não existe livre-arbítrio. De acordo com esses céticos, tudo o que acontece é determinado pelo que ocorreu antes ─ nossos atos são conseqüências inevitáveis de acontecimentos que culminaram com outro ato ─ e isso impede que possamos fazer as coisas de forma inteiramente livre. Esse tipo de atitude contra o livre-arbítrio remonta aos debates filosóficos do século 18, mas ultimamente a idéia ganhou mais destaque em artigos e livros científicos de penetração popular. Será que devemos dar atenção a essas questões? Se as pessoas chegarem a acreditar que não têm livre-arbítrio, quais serão as conseqüências para a responsabilidade moral e ética?

Em um brilhante estudo, os psicólogos Kathleen Vohs, da University of Minnesota e Jonathan Schooler, da University of Califórnia, em Santa Bárbara, testaram a questão utilizando trechos do conhecido livro de ciência The Astonishing Hypothesis (“Uma hipótese assustadora”), de Francis Crick ─ bioquímico ganhador do prêmio Nobel com James Watson, pela descoberta dupla hélice do DNA. Metade dos participantes recebeu um trecho que começava da seguinte forma: “Você, suas alegrias e tristezas, suas lembranças e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre-arbítrio, na realidade não são mais que o comportamento de um imenso aglomerado de neurônios e moléculas a eles associadas. A pessoa que você é não é mais que um pacote de neurônios.” O trecho prossegue discorrendo sobre a base neural das decisões e afirmações, que “...embora pareça que temos livre-arbítrio, na realidade, nossas escolhas já estão predeterminadas e isso não pode ser mudado.” Outros participantes receberam um trecho sobre a importância de estudar a consciência, que também parecia ter um cunho científico, mas não mencionava o livre arbítrio.

Depois de ler os trechos, todos completaram uma pesquisa sobre sua crença no livre-arbítrio. Aí veio a parte inspiradora do experimento. Os participantes receberam instruções para resolver 20 problemas aritméticos que seriam mostrados na tela do computador. Mas quando aparecesse a questão, eles precisariam pressionar a barra de espaço, caso contrário, uma falha de programação mostraria a resposta na tela. Os participantes também foram informados de que ninguém saberia se eles haviam pressionado a barra de espaço ou não, e lhes foi pedido que não tentassem trapacear.
1 2 3 »
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!