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Notícias |
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| 22 de setembro de 2008 |
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| Livre-arbítrio e programação cerebral |
| Se nossos atos são determinados por acontecimentos anteriores, então não temos escolha sobre nada - nem responsabilidade sobre o que fazemos? |
| por Shaun Nichols |
[continuação]
Os resultados foram claros: os que leram o texto contra o livre-arbítrio tentaram trapacear mais! Ou seja, pressionaram a barra de espaço menos vezes que os outros. Além disso, os pesquisadores descobriram que o número de tentativas de trapaça de um participante estava correlacionado com o grau de rejeição ao livre arbítrio encontrado nas suas respostas na pesquisa.
Formas de imoralidade
Alguns elementos do estudo, no entanto são questionáveis. Em primeiro lugar, o texto contra o livre-arbítrio apresenta uma perspectiva sombria, e isso seria suficiente para levar alguém a trapacear mais (“Mas se eu sou simplesmente um conjunto de neurônios, tenho mais com que me preocupar do que me comportar bem nesse experimento!”). Talvez fosse possível obter um maior número de trapaças se os participantes tivessem recebido um trecho defendendo o princípio de que toda vida sensitiva, será no final destruída na morte escaldante do Universo.
Por outro lado, os resultados se encaixam nas previsões de alguns filósofos. A concepção ocidental da idéia de livre-arbítrio parece ligada de modo indissolúvel ao nosso senso de responsabilidade ética, o sentimento de culpa pelas más ações e orgulho nas realizações. O que nos mantém responsáveis é exatamente pensar que nossos atos provêm do livre-arbítrio. Sob esse aspecto, não é surpresa que as pessoas tenham um comportamento menos ético quando passam a desacreditar no livre-arbítrio. Além disso, o resultado da pesquisa de Voh e Schooler se ajusta à idéia de que as pessoas se comportarão com menos responsabilidade se considerarem que seus atos estão além do seu controle. Se uma pessoa pensa que não há motivo para tentar ser bom, então estará menos propensa a tentar.
Se a descrença no livre-arbítrio resulta nesses efeitos nocivos, poderíamos pensar nos limites a que as pessoas chegariam. Então nos perguntamos se os efeitos vão além do domínio moral. Trapacear em um experimento psicológico não parece tão terrível. Certamente também, o experimento não levou os participantes que leram o trecho contra o livre-arbítrio a terem um surto de criminalidade. Nossa repulsa moral pelos atos de matar e ferir os outros provavelmente é muito sólida para ser destruída por reflexões sobre determinismo. No entanto, outros tipos de comportamento antiético, como colar nas provas, poderiam ser afetados pela rejeição ao livre-arbítrio. |
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