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Notícias |
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| 22 de setembro de 2008 |
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| Livre-arbítrio e programação cerebral |
| Se nossos atos são determinados por acontecimentos anteriores, então não temos escolha sobre nada - nem responsabilidade sobre o que fazemos? |
| por Shaun Nichols |
[continuação]
Será um efeito permanente?
Outra questão é se o efeito é duradouro. O estudo de Voh e Schooler sugere que logo após desacreditarem no livre arbítrio, as pessoas passam a trapacear mais. Mas o que aconteceria se essas pessoas voltassem ao laboratório duas semanas depois? Poderíamos descobrir que continuariam não acreditando no livre-arbítrio, mas não enganariam mais.
Não há evidência concreta sobre essa questão, mas há uma evidência recente correlacionada a ela. Em uma pesquisa sobre determinismo e responsabilidade moral, o filósofo Hagop Sarkissian da City University de Nova Iorque e colegas ─ havia pessoas de Hong Kong, Índia, Colômbia e Estados Unidos ─ completaram uma pesquisa sobre determinismo e responsabilidade. O determinismo foi descrito em termos não-técnicos, e foi perguntado aos participantes ─ na prática ─ se nosso Universo é determinista e se as pessoas em um Universo determinista são moralmente responsáveis por seus atos.
Eles descobriram que, em todas as culturas, a maioria das pessoas respondeu que nosso Universo não é determinista e também que as pessoas não são responsáveis por seus atos em um Universo determinista. Embora isso não seja exatamente uma surpresa, pois as pessoas querem acreditar que têm livre-arbítrio. Quando se estuda um grupo menor de pessoas que considera o Universo determinista, aparece um dado muito interessante. Em todas as culturas, a minoria cética, que não acredita no livre-arbítrio mostrou maior tendência em afirmar que as pessoas são responsáveis, mesmo que o determinismo seja verdadeiro. Uma forma de interpretar esse resultado é que se chegarmos a acreditar em determinismo, não mudaremos nossas atitudes morais; simplesmente inverteremos nosso ponto de vista de que o determinismo exclui a responsabilidade moral.
Muitos filósofos e cientistas rejeitam o livre-arbítrio e embora não existam estudos sistemáticos sobre o assunto, atualmente não há porque pensar que filósofos e cientistas que negam o livre-arbítrio sejam, de modo geral, moralmente menos corretos que os que nele acreditam. Mas isso levanta ainda outra questão intrigante sobre a crença no livre-arbítrio. Pessoas que se declaram claramente contra o livre-arbítrio muitas vezes continuam a ser responsáveis por seus atos e a se sentir culpadas por agir de forma errada. Será que essas pessoas conseguem harmonizar suas atitudes com sua rejeição ao livre-arbítrio? Será que conseguem conciliar sua noção de culpa e responsabilidade de modo a realmente não dependerem da existência do livre-arbítrio? Ou será que em momentos críticos, quando estão tentando tomar decisões difíceis, tentando fazer o que é certo, voltam a acreditar que, no final das contas, eles têm mesmo livre-arbítrio? |
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