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Lula gigante é filmada nas águas de arquipélago japonês

O invertebrado de 4 metros mostrou grande agilidade para nadar e caçar 

erkanupan /Shutterstock
Exploradores do oceano finalmente atingiram um de seus objetivos mais encantadores, ainda que elusivos: imagens em vídeo da lendária lula gigante (Architeuthis dux) em seu hábitat natural no fundo do mar. Cientistas declaram que o filme espetacular, obtido durante uma expedição nas águas do arquipélago japonês de Ogasawara, responde questões antigas a respeito desse enigmático invertebrado.

A expedição de seis semanas foi financiada pela Comissão Japonesa de Rádio e Televisão (NHK) e pelo Discovery Channel dos Estados Unidos e ocorreu em julho. Só agora o o resultado se tornou público, enquanto as duas empresas se preparam para transmitir os documentários.

A lula foi vislumbrada pela primeira vez com o uso de um sistema especializado de câmeras, chamado de Medusa, que a equipe lançou de um navio e deixou suspenso a cerca de 700 metros de profundidade. Mais tarde, pesquisadores ficaram cara a cara com uma lula, enquanto estavam em um veículo submersível. “Ela era tão linda que não tenho palavras para explicar”, declara o zoólogo Tsunemi Kubodera, do Museu Nacional Japonês de Natureza e Ciência, que estava no submersível.

O sistema de câmeras foi desenvolvido por Edith Widder, exploradora marinha e fundadora da Associação de Pesquisa e Conservação Oceânica em Fort Pierce, na Flórida. Widder acredita que o segredo do sucesso da missão foi a atenção dada à sensibilidade visual da lula. Para evitar luzes brilhantes, que poderiam induzir o animal a fugir, o sistema usa uma câmera de luz baixa com uma fraca luz vermelha porque poucos animais do fundo do mar veem luz com um comprimento de onda tão longo.

Sucesso Encantador

Na esperança de atrair os animais para perto, Widder usou um tipo diferente de luz. Apesar de muito pouca luz do sol chegar até o fundo do mar, muitos moradores das profundezas produzem luz por bioluminescência. Pesquisas anteriores de Widder sugerem que a bioluminescência pode ser uma espécie de alarme contra predadores, entre outras funções. Nesse caso, a bioluminescência produzida por uma presa que está sob ataque pode servir para atrair predadores maiores – como uma lula gigante – que devorarão o agressor.

Assim, Widder e seus colegas equiparam Medusa com um dispositivo eletrônico que imita a bioluminescência das águas-vivas quando atacadas para servir de isca. Funcionou: Medusa encontrou uma lula pela primeira vez em seu segundo lançamento, o que encheu de alegria os tripulantes do navio. “Fiquei maravilhada”, declara Widder. “Eu não poderia ter ficado mais feliz”.

Medusa acabou encontrando uma lula cinco vezes, culminando com a filmagem do invertebrado enquanto aparentemente atacava o sistema de câmeras de maneira consistente com a hipótese do alarme. O invertebrado tinha cerca de quatro metros de comprimento, apesar de lulas gigantes poderem crescer até 10 metros ou mais.

Durante um mergulho em seu submersível Triton, cerca de uma semana depois do primeiro sucesso de Medusa, Kubodera e o piloto Jim Harris tiveram um encontro cara a cara. Depois de terem obtido imagens suficientes com luz baixa, eles ligaram as luzes principais do submersível, esperando assustar a lula. Em vez disso, o animal continuou a se alimentar das iscas amarradas ao veículo. Durante 18 minutos hipnotizantes, a dupla assistiu a pele do enorme animal mudar constantemente entre inesperados tons metálicos de ouro e prata. 

Duas expedições anteriores, ambas envolvendo Kubodera, retornaram fotografias estáticas de uma lula gigante nas profundezas e imagens de vídeo de uma na superfície. Vários espécimes mortos também já foram coletados pelo mundo. O contato próximo e estendido, no entanto, foi como ver um animal completamente novo, afirma  Kubodera.

O pesquisador acredita que as lulas gigantes caçam olhando para cima, detectando silhuetas tênues, então ele afixou uma lula da espécie Thysanoteuthis rhombus, presa usual da lula giganteà frente do submersível e também usou um anzol de lula iluminado.

Clyde Roper, especialista em lulas gigantes e zoólogo do Museu Nacional Smithsonian de História Natural, em Washington capital, observa que esses encontros respondem questões muito antigas. Pensava-se, por exemplo, que a lula gigante era bem passiva, mas seus vigorosos ataques mostram que ela é muito ágil para nadar e se alimentar.

“Isso vai nos ajudar muito, muito mesmo a entender esse animal”, declara Roper. “Eles fizeram um trabalho maravilhoso”.

Esse artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 14 de janeiro de 2013.

 Link para o video: http://bcove.me/r6alaf4h
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