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Lutando por um Lar

Após anos de disputa legal, governo americano designará hábitat crítico para jaguar

Susan H. Greenberg
©Ewan Chesser/ Shutterstock
O jaguar [onça-pintada, no Brasil], terceiro maior felino depois de leões e tigres e o maior do hemisfério ocidental, costumava viver em diversas regiões. Entre 1700 e 1800 podia ser visto no Arizona, Novo México, Califórnia e Texas. Esses felinos apareciam até mesmo na Carolina do Norte e no Colorado [no Brasil era encontrado em quase todo o território coberto por vegetação mais abundante].

Quando os humanos invadiram seu território, o domínio desse animal mudou para o sul. Hoje ele se estende do norte da Argentina até o deserto de Sonora, no México. Mas o felino aparece com tanta frequência no sudoeste americano que alguns conservacionistas argumentam que ele merece proteção de hábitat crítico. Agora, após anos de disputas judiciais, o U.S. Fish and Wildlife Service (FWS, na sigla em inglês) concordou: “Temos planos para designar hábitats críticos, mas ainda não sabemos onde ou qual o espaço dessa área”, revela Steve Spangle, supervisor de campo do FWS em Phoenix. A agência pretendia divulgar sua decisão em julho.

A questão sobre os jaguares [ou onças] merecerem ou não hábitat crítico reflete um debate maior dos círculos conservacionistas. Como priorizar gastos entre as muitas espécies que estão lentamente desaparecendo do planeta? Diversos especialistas acreditam que a melhor maneira de ajudar esse animal é aumentar os recursos ao sul da fronteira americana, onde eles vivem e se reproduzem. Mas Michael Robinson, do Centro de Diversidade Biológica, um dos grupos que processou a FWS para que designasse hábitat crítico, acredita que o objetivo deveria ser ajudar os jaguares a repovoar partes dos Estados Unidos de onde foram “expulsos” – muitos foram mortos sob um programa federal de extermínio de predadores que existiu até a década de 60. “É importante olhar para o domínio histórico de uma espécie, não apenas para um momento”, argumenta Robinson.

Qualquer hábitat crítico concedido pelo governo provavelmente será pequeno. Em abril, um esboço preparado por um grupo conselheiro da FWS se concentrou em uma área que inclui o sudeste do Arizona e uma pequena parte do sudoeste do Novo México, negligenciando a Floresta Nacional de Gila e a Borda de Mogollon, que, de acordo com Robinson, são o principal hábitat do jaguar.

“O assunto pode ser debatido durante mais algumas gerações, enquanto a espécie é extinta”, ironiza Howard Quigley, do grupo conselheiro convocado pela FWS e diretor-executivo do programa Jaguar do grupo Panthera. “Precisamos de uma área para nos concentrar e começar a trabalhar pela recuperação.” É pelo menos um começo.
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