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Macacos rejeitam pessoas más

Capuchinhos tendem a evitar humanos que recusam ajuda 

Flickr/Fulla T

Depois de observar humanos interagindo, macacos capuchinhos tendiam a recusar pessoas que agiam de maneira egoísta. 

Por Helen Shen e revista Nature

Quando é que um macaco recusa uma banana? Aparentemente, quando ela é oferecida por uma pessoa egoísta.

Quando recebem a opção de aceitar guloseimas de pessoas prestativas, neutras, ou egoístas, macacos capuchinhos (Cebus apella) tendem a evitar indivíduos que recusam ajudar outros, de acordo com um estudo publicado em 5 de março na Nature Communications.

“Humanos podem construir uma impressão a respeito de alguém simplesmente com base no que veem”, explica o autor do estudo, James Anderson, psicólogo comparativo da University of Stirling, no Reino Unido. Os resultados dos capuchinhos sugerem que essa habilidade “provavelmente se estende a outras espécies”, observa ele.

Anderson decidiu estudar capuchinhos devido a seus instintos altamente sociais e cooperativos. Macacos do estudo observavam enquanto uma pessoa concordava ou se recusava a ajudar outra pessoa a abrir um pote contendo um brinquedo. Depois disso, as duas pessoas ofereciam comida ao animal. O macaco só podia aceitar comida de uma delas.

Quando a ajuda era concedida, os capuchinhos praticamente não mostravam preferência entre a pessoa que pedia ajuda e a pessoa que ajudava. Mas quando a ajuda era recusada, os sete macacos tendiam a aceitar comida da pessoa egoísta com menos frequência.

Escolhendo parceiros

Para tentar entender as motivações dos macacos, Anderson e sua equipe testaram cenários diferentes. Os animais não apresentavam preconceito contra pessoas que não conseguiram ajudar porque estavam ocupadas demais tentando abrir seu próprio pote. Mas eles tendiam a evitar pessoas que podiam ajudar, mas que não o faziam.

“A recusa explícita de ajudar é um sinal de que você é perigoso, negativo”, explica Kiley Hamlim, psicóloga do desenvolvimento da University of British Columbia, em Vancouver, no Canadá. Tendências semelhantes foram apresentadas por chimpanzés e por humanos com três meses de idade. Hamlin acredita que o estudo dos capuchinhos sugere que a capacidade de identificar parceiros sociais indesejáveis tem raízes evolutivas ancestrais.

Sarah Brosnan, etóloga da Georgia State University em Atlanta, declara que esse tipo de estudo normalmente é realizado com grandes primatas, e que “de fato é muito interessante ver isso em um macaco”. As descobertas sugerem que a inferência social pode ocorrer em animais com diferentes tamanhos de cérebro e habilidade cognitiva, explica ela.

Mas Jennifer Vonk, psicóloga comparativa da Oakland University em Rochester, Michigan, e autora do estudo com chimpanzés, alerta contra suposições de que os macacos compreendam muito sobre o caráter humano.

“Você realmente não sabe o que eles estão inferindo”, aponta ela. Em condições em que as duas pessoas recebiam potes, as tendências contra pessoas egoístas eram mais fracas, explica ela, então são necessários testes mais detalhados para eliminar possíveis preferências por pessoas que detenham objetos de interesse, como brinquedos.

Mesmo assim, Vonk diz estar interessada em descobrir se outros animais – cães, por exemplo – e até mesmo espécies não-sociais, como ursos, guiam seu comportamento ao observar interações sociais.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 5 de março de 2013.