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17 de junho de 2009
Mamíferos podem produzir novos óvulos após o nascimento
Nova pesquisa com camundongos sugere que a ideia de que as fêmeas já nascem com os óvulos que terão por toda a vida é falsa
por Jordan Lite
Rama via Wikimedia Commons
Camundongo de laboratório
Pesquisadores chineses, em artigo publicado na Nature Cell Biology, afirmam ter encontrado células estaminais no ovário de roedores que, se estimuladas, poderão se tornar óvulos férteis. Médicos – para não mencionar futuras mamães preocupadas se não seria tarde demais para engravidar – têm trabalhado com a hipótese de que a mulher já nasce com uma quantidade fixa de óvulos que vão se esgotando com a menstruação. Entretanto, se essas novas descobertas forem confirmadas será possível ampliar os tratamentos de infertilidade ao incluir a extração e armazenagem de células estaminais para uso futuro, ou desenvolver medicamentos que estimulem essas células a se tornarem óvulos.

“Se você está pensando em refutar a teoria de que fêmeas não podem produzir novos óvulos, esse trabalho pode revelar o contrário. É um estudo realmente importante,” avalia o professor de ginecologia, obstetrícia e biologia reprodutiva da Harvard Medical School, Jonathan Tilly. “As evidências são inquestionáveis.”

Na publicação, cientistas da Universidade Jiao Tong, de Xangai, relatam a descoberta de uma linhagem germinativa de óvulos (ou células estaminais precursoras) nos ovários de fêmeas de camundongos recém-nascidas e adultas. Após cultivarem essas células em placas de Petri por seis a quinze meses, identificaram as células com marcadores fluorescentes verdes e as implantaram em fêmeas modificadas geneticamente para se tornarem inférteis. Alguns desses animais tiveram filhotes que reproduziram a marcação fluorescente, sugerindo que as células transplantadas tinham permitido que as fêmeas inférteis procriassem.

“Esses resultados indicam que as linhagens germinativas desenvolvidas durante o estudo podem ser usadas para produzir descendentes de receptores anteriormente estéreis,” comentam os autores autor.

No entanto, alguns pesquisadores como David Albertini, professor especializado em reprodução do Centro Médico da University of Kansas, em Kansas City, questionam se pesquisa realmente mostra o que os pesquisadores afirmam. “É difícil saber o que realmente está acontecendo.”
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