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Marte perdeu um oceano de água no passado

Mapas indicam possíveis mares ancestrais e atuais reservatórios subterrâneos 

Space.com
Pouco se sabe sobre como Marte perdeu sua água e quanta água líquida ainda pode haver em reservatórios subterrâneos.
Por Charles Q. Choi e SPACE.com

De acordo com pesquisadores, novos mapas da água atmosférica de Marte revelam que o Planeta Vermelho pode já ter tido o bastante para cobrir até um quinto do planeta.

Pesquisas adicionais para refinar esses mapas poderiam guiar a busca para identificar reservatórios subterrâneos em Marte. Um novo vídeo da Nasa descreve o oceano ancestral de Marte (em inglês).

Ainda que atualmente a superfície marciana seja fria e seca, existem muitas evidências sugerindo que rios, lagos e mares cobriam o planeta há bilhões de anos (ver fotos das pesquisas de água em Marte).

Como existe vida praticamente em qualquer lugar onde haja água líquida na Terra, alguns pesquisadores sugerem que a vida pode ter evoluído em Marte quando ele ainda era úmido e que poderia haver vida por lá até agora, escondida em aquíferos subterrâneos.

Ainda não se sabe muito sobre como Marte perdeu sua água e quanto ainda pode existir em reservatórios subterrâneos. Uma maneira de resolver esses mistérios é analisar os tipos de moléculas de água na atmosfera marciana.

Normalmente, moléculas de água são compostas de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Um ou ambos desses átomos de hidrogênio podem ser substituídos por átomos de deutério para criar água deuterada. (O deutério, assim como o hidrogênio, tem apenas um próton, mas também tem um nêutron).

A água deuterada é mais pesada que a água normal, assim ela se comporta de maneira diferente. A água normal, por exemplo, escapar de Marte com maior facilidade já que ela pode ser vaporizada mais rapidamente na atmosfera marciana. A radiação solar pode quebrar essa água em hidrogênio e oxigênio, e o hidrogênio pode escapar para o espaço.

Ao estudar a atual razão entre deutério e hidrogênio na água marciana, pesquisadores acreditam que poderão estimar a quantidade de água que o planeta vermelho costumava ter. Eles construíram novos mapas da razão entre hidrogênio e deutério na água atmosférica de Marte usando dados coletados entre 2008 e 2014 pelo Very Large Telescope, no Chile, pelo Observatório Keck e pela Instalação de Telescópios Infravermelhos da Nasa, no Havaí.

As proporções entre água deuterada e a água normal encontradas em algumas regiões de Marte foram mais altas que o esperado, até sete vezes superior à dos oceanos da Terra. Essa razão sugere que Marte perdeu uma grande quantidade de água ao longo do tempo.

“Agora podemos obter uma estimativa consistente de quanta água foi perdida pelo planeta”, declara Geronimo Villanueva, autor do estudo e cientista planetário do Centro Goddard de Voos Espaciais em Greenbelt, no estado de Maryland.

Com base em suas descobertas, os cientistas estimam que Marte pode ter tido água o bastante para cobrir até 20% de sua superfície há cerca de 4,5 bilhões de anos. Eles sugerem que o planeta ainda possui consideráveis reservatórios subterrâneos de água.

Mapas mais refinados da água atmosférica de Marte poderiam guiar a busca por esses aquíferos profundos, observa Villanueva. Na prática, pesquisadores examinariam esses mapas para verificar se superfícies conhecidas de água, como calotas de gelo, poderiam ser responsáveis por essa água atmosférica, “e quaisquer anormalidades poderiam ter origem em reservatórios ocultos”, conclui ele.

Os cientistas detalharam suas descobertas online em 5 de março, no periódico Science.

Publicado por Scientific American em 5 de março de 2015.