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Mau humor é contagioso?

Tendência inconsciente a imitar estado de espírito alheio pode interferir em nossas emoções

Ksusha Dusmikeeva/Shutterstock
Mau humor é contagioso?

Gary W. Lewandowski, Jr., professor associado de psicologia da Monmouth University responde: quando vemos alguém tossindo, instintivamente sabemos que devemos nos afastar de seus germes. Mas ao observamos uma pessoa irritada ou reclamando, a atitude a ser tomada é menos óbvia. Estudos sugerem, porém, que contrair o humor de outras pessoas pode ser tão fácil quanto se contaminar com seus germes.

Psicólogos chamam esse fenômeno de contágio emocional, um processo de três passos em que os sentimentos de uma pessoa se transferem para outra. O primeiro estágio envolve uma mímica inconsciente, durante a qual sutilmente copiamos os sinais não verbais uns dos outros, incluindo postura, expressões faciais e movimentos. Na verdade, ver-me com uma expressão triste faz você imitá-la. Então as pessoas podem experimentar uma fase de feedback: como você imitou minha expressão triste, agora se sente triste. Durante a última fase de contágio as pessoas compartilham experiências até que suas emoções e comportamentos estejam sincronizados. Assim, quando encontramos um colega de trabalho em um dia ruim, podemos inconscientemente adquirir os comportamentos não verbais dele e começarmos a entrar em um estado infeliz. A mímica, porém, não é completamente ruim; uma pessoa também pode adotar o bom humor de outra, o que pode melhorar relacionamentos.

Ainda que a mímica geralmente ocorra sem que tenhamos consciência dela, às vezes podemos observá-la. Digamos que você vê alguém bocejar do outro lado do trem. Geralmente você não consegue evitar bocejar também. Pesquisas sugerem que esse tipo de mímica é mais comum quando a pessoa que bocejou é próxima de nós, como um membro da família, um bom amigo ou um parceiro romântico. Outro estudo revelou que a mímica inconsciente, também chamada de efeito camaleão, ocorre mais frequentemente em pessoas mais empáticas.

A natureza contagiosa das emoções pode se amplificar quando indivíduos estão em contato frequente um com o outro. Em um estudo, os estudiosos de relacionamento Lisa A. Neff, da University of Texas, em Austin, e Benjamin R. Karney, da University of California, em Los Angeles, examinaram mais de 150 casais por três anos para determinar como o estresse de um dos parceiros influenciava o outro e a qualidade geral do casamento. Eles descobriram que as mulheres não eram significativamente afetadas. Já os maridos, porém, experimentavam uma satisfação mais baixa quando suas esposas relatavam estresse elevado. E mais importante ainda: a troca emocional era mais pronunciada quando as pessoas se engajavam em práticas de resolução de conflito, como rejeitar ou criticar o parceiro.
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