Por Keren Blankfeld Schultz
Você sente que alguns dias parecem se arrastar, como se fossem mais longos que os outros? Essa sensação pode ser psicológica, mas a duração real do dia realmente oscila – por uma fração de milésimo de segundo.
A duração de um dia, que é definida pelo tempo necessário para a Terra girar uma vez em torno de seu eixo, pode ser medida com uma precisão de cerca de 10 microssegundos, ou 10 milionésimos de segundo. O ritmo rotacional da Terra depende da distribuição de massa por sua superfície. Isso inclui a agregação de gases agitados que abrangem a atmosfera, o próprio solo, o núcleo fluido do planeta e o oceano em movimento. Por exemplo, quando um grande terremoto desloca a massa do planeta, pode retardar ou acelerar o dia em até alguns milionésimos de segundo.
Na verdade, o terremoto ocorrido em Sumatra, na Indonésia, em dezembro de 2004, responsável pelo fatídico tsunami, deslocou tanta água que mudou levemente a forma de nosso planeta e acelerou sua rotação por 2,68 microssegundos, ou quase três milionésimos de segundo.
Essa mudança na velocidade rotacional, embora mínima, vem sendo observada há séculos. Em 1695, o astrônomo inglês Sir Edmund Halley (que também descobriu o cometa que leva seu nome) desenvolveu a hipótese de que a Lua estava acelerando em sua órbita. Na realidade, o movimento de rotação da Terra é que estava desacelerando, dando a impressão de que a Lua ganhava velocidade. |