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Meteorito carrega água de Marte

O planeta poderia ter água superficial cerca de dois bilhões de anos atrás 

Ron Cowen e revista Nature
Nasa
A rocha, encontrada no Deserto do Saara, tem uma concentração hídrica mais alta que qualquer outro meteorito marciano já analisado.
A rocha pode parecer comum mas na verdade é uma entrega superespecial do planeta vermelho. Uma análise em laboratório revelou que um espécime apresentado por um negociador marroquino de meteoritos em 2011 é a primeira amostra de origem marciana semelhante às rochas ricas em água examinadas pelos jipes da NASA.

O meteorito, batizado de Northwest Africa (NWA) 7034, contém uma concentração de água por peso dezenas de vezes mais alta que qualquer outro dos mais ou menos 100 meteoritos marcianos conhecidos – rochas raras que são ejetadas da superfície marciana quando um asteroide atinge o planeta, e que acabam por encontrar o caminho da Terra.

Essa também é a única amostra marciana na Terra que vem de um período crítico, há cerca de dois bilhões de anos, quando se acredita que Marte se tornou mais frio e seco do que era originalmente.

Carl Agee da University of New Mexico, em Albuquerque, e seus colegas publicaram o resultado de suas análises das amostras do meteorito na Science online de 3 de janeiro.

Pistas aquáticas

“Agee e seus colaboradores escancaram a porta para uma parte completamente nova de Marte”, declara o cientista planetário Munir Humayun, da Florida State University em Tallahassee, que não se envolveu no estudo. O meteorito, adiciona ele, é “o primeiro de uma nova categoria de meteoritos marcianos a fornecer pistas mais diretas sobre a história da superfície de Marte”.

Além disso, continua Humayun, o NWA 7034 pode fornecer a única prova a corroborar diretamente com as observações das sondas ainda por algum tempo, já que o destino de uma missão há muito prometida para trazer amostras de Marte para a Terra ainda é incerto.

A composição elementar do meteorito se parece muito com a de rochas examinadas em 2005 pelo jipe Spirit, da NASA, na Cratera Gusey. Essas rochas mostraram evidências de terem sido quimicamente alteradas por interações com água líquida, aponta Agee. A composição do NWA 7034 também se adequa à de rochas estudadas pela Curiosity, a sonda mais nova da Nasa, como descrito em relatórios preliminares dos membros da missão.

Elo perdido

Com cerca de 2,1 bilhões de anos, o NWA 7034 é o segundo meteorito marciano mais velho, e fornece um “elo perdido” do registro geológico do planeta, de acordo com Agee.

O possível meteorito marciano mais antigo, o ALH 84001, tem 4,5 bilhões de anos, enquanto todos os outros meteoritos marcianos têm 1,3 bilhão de anos, ou menos.

Várias linhas de evidências indicam que partes de Marte eram mais quentes e úmidas, portanto um possível refúgio para a vida baseada em carbono, há cerca de quatro bilhões de anos.

O conteúdo hídrico relativamente alto do NWA 7034, que poderia ser de até 0,6% do peso, sugere que processos de crosta ou de superfície envolvendo água podem ter durado muito além da marca dos quatro bilhões de anos, adiciona Agee.

Isso não é surpresa, dado o mapa do hidrogênio (um indicador da existência da água) gerado por um instrumento da sonda orbital Mars Odyssey, e a presença de pequenas quantidades de água em meteoritos marcianos mais jovens, aponta Harry McSween da University of Tennessee, em Knoxville. 

O meteorito é constituido de rocha vulcânica. A presença de água nele sugere que rochas da crosta de Marte interagiram com a água da superfície - originada da atividade vulcânica, reservatórios próximosà superfície, ou pelo impacto de cometas-, explica Agee.

Mas Jeffrey Taylor da University of Hawaii, em Honolulu, destaca que ainda são necessários estudos para saber se o conteúdo hídrico do meteorito realmente revela uma abundância de água na superfície marciana há 2,1 bilhões de anos.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 3 de janeiro de 2012. 
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