Notícias
  
20 de janeiro de 2010
Mico recém-descoberto já corre risco de extinção
Projetos de desenvolvimento podem em breve prejudicar o hábitat amazônico de um pequeno sagui
por Lynne Peeples
STEPHEN D. NASH
Sagui-de-cara-suja de Mura vive numa região remota da Amazônia
Um novo mico anda saracoteando pela floresta amazônica – novo ao menos para os cientistas. Infelizmente o futuro desses macaquinhos, que pesam apenas 213 g e medem 23 cm, já está ameaçado pelo desenvolvimento humano.

A descoberta do sagui-de-cara-suja de Mura foi anunciada pela Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem (WCS na sigla em inglês), em Nova York, e publicada on-line na International Journal of Primatology.[Os autores da descoberta, em 2007, são os pesquisadores Fábio Rohe, José de Sousa e Silva Jr, Ricardo Sampaio e Anthony Rylands.]

“Continuamos encontrando novas espécies de plantas, insetos e borboletas. No entanto, é cada vez mais difícil achar novas espécies de mamíferos”, afirma Avecita Chicchón, diretora do Programa do WCS para América Latina e Caribe, incapaz de conter seu entusiasmo a respeito do novo primata do tamanho de um coelho. “Ele é nosso parente, apesar de um pouco mais distante do que o gorila. Olhá-lo nos olhos é o mesmo que olhar em um espelho.”

A nova subespécie do sagui-de-cara-suja é cinza e marrom, com o dorso mosqueado e cauda longa. Recebeu o nome de Mura em homenagem à tribo indígena que vive na mesma remota região onde o animal foi encontrado, entre as bacias dos rios Purus e Madeira. Por enquanto os cientistas não têm como saber exatamente quantos deles vagueiam pela região.

Nessa parte do Brasil estão em andamento diversos projetos de desenvolvimento, incluindo parte da principal rodovia dos 7 milhões de quilômetros quadrados da floresta amazônica e que atualmente está sendo pavimentada em diversos trechos. Também foi iniciada a construção de duas hidrelétricas e existe a proposta de instalação de um gasoduto nas proximidades logo em seguida.

“Essas são ameaças significativas à vida selvagem que nem sequer estão documentadas”, alerta Chicchón. Ela defende a necessidade de um cálculo mais apurado do custo-benefício – para o meio ambiente, as pessoas e a vida selvagem – antes que esses tipos de projetos sejam levados adiante.

Embora a descoberta do mico não vá impedir o desenvolvimento, Chicchón acredita que “ajudará a salientar a importância de se continuar explorando e documentando a diversidade da vida na Amazônia – a última vastidão selvagem na Terra.”
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!