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Microchips autônomos

Novo microchip aprende a consertar suas próprias rotas de informação

Alike 3.0 Unported/Zephyris
Por Marshall Honorof e TechNewsDaily

 

Uma das razões de robôs e programas de inteligência artificial – mesmo os mais sofisticados – não serem classificados como coisas vivas é não terem a capacidade de se consertarem sozinhos.

Frite os circuitos de uma máquina, e ela não consegue fazer nada além de esperar que um humano a conserte.

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) deu alguns dos primeiros passos para produzir uma máquina que se cura sozinha ao criar um chip de computador que pode aprender a restaurar suas próprias rotas de informação.

O chip vem do laboratório de Circuitos Integrados de Alta Velocidade, que se especializa em tecnologia de microchips. Há milhares de rotas pelas quais informações podem viajar em um microchip, mas como cada uma é muito especializada, um único problema tradicionalmente deixa o sistema inoperante.

Cada chip contém mais de 100 mil transistores (o componente mais básico de um microchip), que não funcionam simultaneamente. Em vez disso, os pesquisadores queimaram vastas quantidades de transistores do chip com um laser, então deixaram os sistemas se recalibrarem.

Se os raios não atingissem nenhum cachê de dados, o chip conseguia procurar rotas alternativas e continuar a funcionar. Com a ajuda de um processador de circuito integrado de aplicação específica (ASIC) em cada chip, o sistema podia “aprender” quais rotas estavam quebradas e se ajustar a isso. 

Se um microchip tradicional é comparável a um circuito elétrico (remova uma peça e o sistema inteiro colapsa), essa nova tecnologia é mais semelhante a um cérebro humano. Se uma rota se torna inacessível, o cérebro descobre novas maneiras de transmitir informação.

É claro que é possível infligir danos catastróficos a um sistema (seja um cérebro ou microchip), dos quais ele não consegue se recuperar, mas com mais de 100 mil métodos de transmissão, esses microchips poderiam se provar extremamente robustos.

Os chips autocurantes são um passo intrigante na evolução das máquinas, mas falta-lhes uma característica crucial de coisas verdadeiramente vivas: a capacidade de se regenerar com o passar do tempo.

Ainda que os microchips do Caltech consigam suportar danos extensos e encontrar maneiras de funcionar, uma seção queimada por lasers continuará queimada anos depois. Ao contrário do tecido biológico, que se repara no decorrer do tempo, cada chip tem uma vida limitada.

Mesmo assim, o fato de que o microchip ainda não é completamente análogo a coisas vivas não deve diminuir a inovação da invenção, ou sua utilidade potencial. No momento, se um microchip no seu computador ou telefone celular se queimar, todo o sistema ficará essencialmente inoperante até você substituir o chip, isso sem falar dos dados armazenados nele. Instalar esses dispositivos em tecnologias de consumo economizaria incontáveis horas e dólares de suporte técnico.

 “Levar esse tipo de sistema imune eletrônico para chips de circuitos integrados abre um novo mundo de possibilidades”, declara Ali Hajimiri, professor de engenharia do Caltech. “Agora microchips já podem diagnosticar e consertar seus próprios problemas sem qualquer intervenção humana, avançando um passo na direção de circuitos indestrutíveis”.

Isso pode ser muito bom quando uma enchente deixar seu próximo PC intacto, mas pode ser menos desejável quando os exércitos robóticos se levantarem para se vingarem da humanidade. Felizmente, o primeiro é uma opção mais provável.