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Microfósseis achados na Mongólia dão pista para surgimento dos primeiros animais

Achados de 17 espécies diferentes podem ajudar a entender evolução de bactérias

Yale University
Microfósseis variados da Formação Khesen Endiacaran, na Mongólia. Cada fóssil tem, no máximo, 200 micrômetros de tamanho.
Uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade Yale descobriu um esconderijo de microfósseis semelhantes a embriões no norte da Mongólia que pode ajudar a esclarecer questões sobre a transição de micróbios para animais, ocorrida há muito na Terra.

Chamado de Formação Khesen, o local é considerado um dos mais significantes, em termos de fósseis terrestres muito antigos, desde a descoberta da Formação Doushantuo, no sul da China, há 20 anos. A Formação Doushantuo tem 600 milhões de anos; a Formação Khesen é mais nova, com cerca de 540 milhões de anos.

“Entender como e quando os animais evoluíram se provou algo bastante difícil para os paleontólogos. A descoberta de uma coleção bem preservada de fósseis semelhantes a embriões de animais nos dá uma nova visão da transição crítica na história da vida”, disse Ross Anderson, estudante de pós-graduação de Yale e primeiro autor do estudo, publicado na revistas científica Geology.

A nova coleção de fósseis contêm oito gêneros e cerca de 17 espécies, variando entre dezenas e centenas de indivíduos para cada uma. Muitos são microfósseis espinhosos chamados de acritarcas, que têm aproximadamente 100 micrômetros de tamanho - cerca de 1/3 da espessura de uma unha.

A Formação Khesen está localizada a oeste do Lago Khuvsgul, no norte da Mongólia. “Tínhamos interesse especial por este local, pois ele possuía o tipo certo de rochas - fosforitas - que preservou organismos similares na China”, disse Anderson.

A descoberta pode ajudar cientistas a confirmarem uma data muito anterior para a existência de ecossistemas com animais, e não apenas micróbios, na Terra. Por duas décadas, pesquisadores têm debatido acerca dos achados na Formação Doushantuo, sem chegar a uma conclusão. Se forem realmente confirmados como animais, estes microfósseis representariam os animais mais antigos preservados no registro geológico.

Os outros autores do estudo são Derek Briggs, professores de Geologia e Geofísica em Yale e curador do Museu Peabody de História Natural da Universidade; Sean McMahon, pós-doutorando do laboratório de Briggs; Francis Macdonald, da Universidade Harvard; e David Jones, da Amherst College.

Os pesquisadores disseram que a Formação Khesen deve dar aos cientistas informações adicionais no decorrer dos anos. “Este estudo é apenas a ponta do iceberg, já que a maioria dos fósseis deriva de apenas duas amostras”, disse Anderson. Desde a descoberta original, a equipe de Yale tem trabalhado com Harvard e a Universidade de Ciência e Tecnologia da Mongólia para coletar amostras de diversos locais adicionais dentro da formação.

Universidade Yale
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