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20 de julho de 2009
Mistério do mercúrio
Falta de dados gera impasse para regulamentar emissão do poluente
 
Dave G. Houser Corbis
PLACA ALERTA pescadores na costa da Flórida para perigo de intoxicação: “Cuidado, risco de saúde – Não coma robalo pescado além deste ponto por causa do alto teor de mercúrio”
Ao promulgar as regras de restrição de poluição atmosférica por mercúrio em março de 2005, a administração Bush esperava acalmar preocupações relativas à emissão do poluente por usinas termelétricas a carvão. A Casa Branca adotou uma abordagem do tipo cap-and-trade (distribuir cotas limitadas de emissão e permitir que sejam comercializadas) para reduzir o despejo de mercúrio nos Estados Unidos em cerca de 20% em cinco anos e 70% até 2018. Ao formular suas regras, as autoridades notaram que as usinas elétricas emitem apenas 48 toneladas anuais do metal – uma pequena fração do total de mercúrio na atmosfera. O governo argumentou que exigir mais cortes de emissão não resolveria o problema da exposição humana a essa neurotoxina.

Onze estados e quatro grupos de saúde pública estão questionando essa abordagem, alegando que o cap-and-trade não abrange áreas particularmente vulneráveis à poluição por mercúrio. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) nega. Quando as propostas de cap-and-trade foram anunciadas, o chefe da agência para regulamentação atmosférica, Jeffrey Holmstead, disse: “Não achamos que haverá áreas vulneráveis”. Esse impasse vem de grandes vácuos de conhecimento científico sobre o metal. Além disso, a falta de dados abrangentes sobre a deposição de mercúrio significa que um consenso sobre o controle das emissões não deve surgir logo.

Teoricamente, a maior parte do metal deveria se depositar com as chuvas em áreas próximas às termelétricas, mas as tentativas de determinar esse efeito se mostraram incompletas. Por exemplo: a Rede de Deposição de Mercúrio, que mede o teor do elemento em águas pluviais em várias áreas dos Estados Unidos, não leva em conta os particulados de mercúrio que se assentam secos sobre a vegetação, forma de deposição que poderia se equiparar à da líquida, afirma o cientista Steve Lindberg, do Laboratório Nacional de Oak Ridge.
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