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Mistério do metano de Marte se aprofunda

Após dois anos no Planeta Vermelho, o rover Curiosity, da NASA, exclui uma explicação sazonal para um pico de metano que havia sido observado

NASA JPL Caltech

Elizabeth Howell, SPACE.COM

Um grande pico de metano que o rover Curiosity, da NASA, detectou dois anos atrás não foi causado por mudanças sazonais no Planeta Vermelho, segundo cientistas da prórpria agência.

Por algumas semanas no final de 2013 e início de 2014, o Curiosity notou que o metano atmosférico - um gás que possivelmente poderia ser sinal de atividade microbial - aumentou de um nível de 0,7 partes por bilhão para 7 partes por bilhão.

Esse aumento ocorreu durante o primeiro outono marciano do rover. Mas o pico não voltou a acontecer no segundo outono do Planeta Vermelho, de acordo com funcionários da NASA.

“Foi um aumento episódico, ainda sem explicação,” disseram, sobre o assunto, funcionários da NASA. “No entanto, as medições feitas pelo rover sugerem que mudanças mais sutis no contexto de concentração de metano - quantidades bem menores do que as observadas durante o pico - talvez sigam, de fato, um padrão sazonal.”

Esse padrão do contexto mais geral, se for confirmado, pode estar relacionado à mudanças sazonais na pressão e na radiação ultravioleta, os funcionários acrescentaram. O metano pode ser produzido tanto por processos geológicos quanto biológicos, então a sua presença não é necessariamente uma evidência sólida da existência de vida em Marte.

Tanto a Terra quanto Marte tem inclinações similares, o que dá aos dois planetas estações. As estações de Marte, no entanto, são mais extremas, particularmente em termos de temperaturas diárias, que podem ser acima do ponto de congelamento da água durante o dia mas então despencar para menos 90 graus Celsius à noite, graças à atmosfera fina do planeta.

O Curiosity pousou dentro da Cratera de Gale - que possui 154 quilômetros de comprimento - no dia 5 de agosto de 2012. Marte gira em torno do sol a cada 687 dias terrestres ou 668,6 “sóis” (dias marcianos; um sol é 39,6 minutos mais longo do que um dia terrestre)

O dia 11 de maio, quarta feira, foi o 1337º sol do Curiosidade em Marte, marcando o começo do terceiro ano do rover no Planeta Vermelho. Portanto, o robô já experienciou dois ciclos de estações completos em Marte, razão pela qual os membros da equipe da missão podem começar a rascunhar conclusões ou inferências sobre padrões sazonais.

Embora o objetivo principal do Curiosity seja avaliar a habilidade atual e passada da Cratera de Gale para sustentar a vida microbial, o robô também faz medições periódicas de parâmetros ambientais como temperatura, pressão e luz ultravioleta.

Essa observações de longo termo ajudam os cientistas a entender melhor como o clima em Marte se comporta hoje. Dados assim também servem de comparação contra o clima mais úmido de Marte no passado, o qual a NASA está aprendendo com outras missões como a MAVEN (Evolução Atmosférica e Volátil de Marte) e o Satélite de Reconhecimento de Marte.

"Marte é muito mais seco que o nosso planeta e a Cratera de Gale, especificamente, perto do equador, é um lugar muito seco em Marte,” afirma Germán Martínez, um cientista do time de colaboração do Curiosity na Universidade de Michigan. “A quantidade de vapor de água é de mil a dez mil vezes menor do que na Terra.”

A Estação de Monitoramento Ambiental do Rover Curiosidade (REMS) viu as temperaturas atmosféricas variarem de 15,9 graus Celsius em um dia de verão para menos 100 graus Celsius numa noite de inverno.

A quantidade de água na atmosfera aumenta durante meses mais quentes, e a umidade relativa é maior em meses mais frios, segundo as fontes da NASA. Também existem ciclos regulares na pressão atmosférica, que atinge uma baixa no inverno e um pico na primavera. Isso se deve às calotas polares sazonais, que lançam quantidades enormes de dióxido de carbono na primavera,  depois que esse dióxido descongela da atmosfera depois do inverno, segundo os pesquisadores.

 

 

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