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Monte Everest se move três centímetros após terremoto

O tremor de magnitude 7,8 que atingiu o Nepal em abril alterou a montanha mais alta do mundo levemente para o sudoeste

Global Panorama/Flickr
Por Stephanie Pappas e LiveScience

A incrível energia liberada pelo terremoto de magnitude 7,8 que atingiu o Nepal em 25 de abril moveu o Monte Everest mais de uma polegada.

A montanha mais alta do mundo foi movida três centímetros para o sudoeste durante o tremor, de acordo com o jornal estatal China Daily, que citou um novo relatório da Administração Nacional Chinesa para Pesquisas, Mapeamento e Geoinformações.

A mudança foi um pequeno recuo para a montanha, que está avançando lentamente em direção nordeste a uma taxa de aproximadamente 4cm por ano, relatou a agência. A montanha também se eleva 0,3cm todos os anos. Esse movimento é provocado pela lenta colisão entre as placas tectônicas da Índia e da Eurásia, que empurra o chão para cima. [Veja Imagens dos Estranhos Efeitos do Terremoto do Nepal]

Mas o movimento do Everest durante o tremor foi pouco se comparado à mudança nas regiões ao redor de Kathmandu, a capital do Nepal durante o tremor.

“O Everest é como uma distração da coisa toda”, declara Richard Briggs, geólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês) em Golden, no Colorado.

Grande movimento

Perto de Katmandu, o tremor elevou o solo cerca de um metro, de acordo com dados preliminares do satélite radar europeu Sentinel-1A. Danos do tremor cobriram mais de 14 mil quilômetros quadrados. Mais de oito mil pessoas morreram.

O terremoto deformou o solo em uma espécie de vergão, contou Briggs à Live Science. Áreas acima dessa falha, onde o estresse da colisão continental finalmente cedeu, se elevaram. Isso aconteceu, por exemplo, em Kathmandu. Enquanto isso, mais ao norte, atrás da falha, o chão abruptamente caiu.

“O Everest fica muito longe desse possível declive”, observa Briggs. Dados preliminares de satélite do Sentinel-1A sugeriam que a montanha tivesse caído 2,5 cm durante o tremor, mas a agência chinesa não relatou perda de altura. Briggs aponta que, além do Everest, os Himalaias foram inegavelmente afetados: cerca de 60km da cadeia de montanhas ao norte de Kathmandu caíram significativamente.

“Os elementos que se moveram dessa vez ficavam mais perto de Kathmandu”, explica Briggs. “E esses picos, que são apenas um pouco menores que o Everest, se moveram mais de meio metro”.

Região ativa

Um tremor secundário de magnitude 7,3 sacudiu a região em 12 de maio, provocando novos deslizamentos de terra e matando dezenas de pessoas. Esse tremor não alterou o Everest, de acordo com a agência chinesa de mapeamento. De acordo com o USGS, centenas de tremores menores continuaram a afetar a região.

Os tremores no Nepal não são incomuns, geologicamente falando. De acordo com o USGS, a placa indiana está se afundando contra a placa da Eurásia a uma taxa de 45 milímetros ao ano. A placa indiana desliza sob a placa da Eurásia a um ângulo bem raso, explica Briggs. O arranjo é semelhante às zonas submarinas de subdução perto do Alasca e do Japão, onde uma placa continental entra embaixo da outra. Lições dessas regiões, além de evidências geológicas de tremores anteriores nos Himalaias, revelam que a falha é capaz de tremores maiores que a magnitude 7,8, observa Briggs. [Em Fotos: Escalando os Himalaias]

É impossível, porém, prever quando um terremoto desse tipo poderá ocorrer, ou se o tremor de abril influenciou as chances um tremor posterior.

“O movimento nesta falha terá afetado falhas adjacentes, e algumas delas ficarão mais próximas de provocar um tremor, enquanto outras ficarão mais distantes”, explica Briggs. “O problema que temos é a parte do tempo. Não sabemos como está o ‘relógio’ de cada uma dessas falhas e o quanto elas já estavam próximas de inicar tremores de qualquer forma”.

Para complicar esse jogo de adivinhação, ainda existe uma ausência de evidências geológicas. O tipo de terremoto que sacudiu o Nepal não deixa necessariamente um traço forte no registro geológico, aponta Briggs. Imagine uma mão empurrando uma régua de metal até que o instrumento se dobre. Quando a régua finalmente salta de volta contra a pressão, como fez a placa da Eursária contra a pressão da placa indiana, ela muda de forma. Mas a pressão geral da mão (ou da placa indiana, nesse caso) continua, deformando a régua de volta para sua forma arqueada.

“Kathmandu vai descer, e vai se mover de volta na direção da Ásia, e a região dos Himalaias vai se elevar de novo”, explica Briggs. As mudanças na Terra são elásticas, observa ele, e “a maior parte delas se cancela entre grandes terremotos”. 

O tremor também foi algo conhecido como uma “ruptura cega”, o que significa que não há linha de falha visível ou rachadura na superfície. Isso torna mais difícil ver quantas vezes um terremoto desses já aconteceu no passado, e qual a probabilidade de acontecer de novo.