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Mudança Climática Moldava Antigos Rituais de Sepultamento

Pesquisa mostra que desenvolvimento de práticas de mumificação dos Chinchorro coincidiu com explosão demográfica.

Helen Thompson
cortesia de b. arriaza
Múmia Chinchorro de 4.500 anos. O corpo foi pintado com ocre vermelho e usa uma longa peruca de cabelos humanos.
Um período climático relativamente úmido pode ter disparado o desenvolvimento, há 7 mil anos, de uma cultura complexa em comunidades de caçadores-coletores no deserto do Atacama, incluindo os primeiros exemplos conhecidos de mumificação ritual.

Bandos de caçadores-coletores viveram ao longo da costa do Atacama entre 11.000 a.C. e 500 a.C., mas os Chinchorro só começaram a mumificar seus mortos por volta de 5.000 a.C. Um enterro Arcaico primitivo (datado entre 9.000 e 8.000 a.C.) que usa símbolos funerários semelhantes aos últimos sepultamentos de múmias sugere que a mumificação era um desenvolvimento local, que não foi introduzido por outra cultura. Agora, pesquisadores postulam que inovações culturais, incluindo o culto da mumificação, foram aceleradas por mudanças ambientais.

Registros climáticos ambientais do período, baseados em certas registros fósseis de plantas indicam que houve um período mais chuvoso sobre o Atacama entre 5.800 a.C. e 4700 a.C., que teria enchido as reservas de água do solo no deserto geralmente seco do norte do Chile e sul do Peru. Nascentes teriam começado a descarregar água e riachos teriam se enchido.

Os Chinchorro, que viviam em instalações de pesca ao longo da costa, teriam prosperado sob essas condições relativamente benignas, acreditam os pesquisadores. Combinando 460 datas de 131 locais arqueológicos no Atacama com dados existentes de como populações de caçadores-coletores flutuavam para outros locais, os pesquisadores desenvolveram um modelo que indica que os Chinchorro experimentaram um aumento na densidade populacional entre 5.000 e 3.000 a.C.

“A mudança ambiental agiu como força positiva e criativa na construção da complexidade social, em vez de ser associada ao colapso da sociedade”, declara Pablo Marquet, ecólogo da Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago, e coautor do estudo.
Tecnologia dos rituais

De acordo com os pesquisadores, a mumificação ritualística dos Chinchorro, que se acredita ser o exemplo mais antigo do mundo, pode ter evoluído como resultado do aumento populacional. “Cadáveres não se decompõem no deserto costeiro, então um aumento no tamanho da população significa um aumento nos cadáveres que se tornam naturalmente mumificados devido ao ambiente extremamente seco”, explica Marquet. Conforme a população crescia, seria cada vez mais provável que os vivos encontrassem corpos mumificados, aponta ele.

O trabalho se baseia na teoria de que o aumento na população leva à inovação tecnológica – os complicados procedimentos de mumificação dos Chinchorro são uma forma de tecnologia ritualística, afirmam os pesquisadores.

Daniel Sandweiss, arqueólogo da University of Maine em Orono, que não se envolveu no estudo, alerta que “nunca saberemos com certeza se os Chinchorro encontravam corpos mumificados naturalmente com mais frequência”. E mesmo se isso realmente ocorreu, não temos como saber se levou à mumificação artificial, explica ele. “Mas a ideia é plausível”.

Os Chinchorro desenvolveram vários estilos de mumificação elaborados, incluindo pinturas de pele com ocre vermelho ou manganês negro, e também o desmembramento do corpo. Rituais tão complexos indicam uma sociedade complexa, e o período coincidiu com inovações em ferramentas de pesca.

Há cerca de 4.400 anos, a prática desapareceu da região. Uma série de correntes de El Niño reduziu as fontes marinhas de alimento, o que se acredita ter provocado o eventual declínio dos Chinchorro. Marquet sugere que, conforme a população se reduzia, as habilidades de mumificação foram perdidas.
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