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Mudanças no sangue detectáveis cinco anos antes poderiam antecipar diagnóstico de câncer cerebral

Atividade do sistema imune enfraquece antes de sintomas surgirem

Shutterstock
Glioma cerebral.
Mudanças na atividade imune parecem sinalizar o crescimento de tumor cerebral cinco anos antes dos sintomas surgirem, uma nova pesquisa descobriu.

A interação entre proteínas que transmitem informações de uma célula imune para outra torna-se mais fraca no sangue de pacientes que sofrem de câncer cerebral cinco anos antes do câncer ser diagnosticado, disse a líder da pesquisa Judith Schwartzbaum, da Universidade Estadual de Ohio.

Essa informação poderia, um dia, levar a diagnósticos precoces de câncer cerebral, disse Schwartzbaum, professora associada de epidemiologia e membro do Centro Compreensivo de Câncer do Estado de Ohio.

O estudo, publicado na revista científica PLOS ONE, focou em gliomas, os quais representam cerca de 80% dos diagnósticos de câncer cerebral. O tempo médio de sobrevida para o tipo mais comum de glioma é de 14 meses.

Os sintomas variam e incluem dores de cabeça, perda de memória, mudanças de personalidade, visão embaçada e dificuldade de falar. Em média, o câncer é diagnosticado três meses após o início dos sintomas, e quando os tumores já estão em estágio avançado.

“É importante identificar os estágios iniciais do desenvolvimento do tumor se esperamos intervir com maior eficácia”, disse Schwartzbaum. “Se entendermos esses passos iniciais, talvez possamos desenvolver tratamentos para bloquear o crescimento do tumor.”

Embora não seria factível empreender testes de sangue em larga escala junto a pessoas que não apresentem sintomas desse tumor, essa pesquisa pode pavimentar o caminho para técnicas que identifiquem câncer cerebral mais cedo e permitam tratamentos mais efetivos, segundo Schwartzbaum.

Schwartzbaum avaliou amostras de sangue de 971 pessoas, metade das quais receberam diagnóstico de câncer cerebral anos após o sangue ter sido coletado. As amostras vieram do Banco Janus Serum, da Noruega.

Devido a pesquisas anteriores - incluindo a sua própria, sobre a relação entre alergias e câncer cerebral - Schwartzbaum estava interessada no papel das citocinas, proteínas que se comunicam umas com as outras e com células imunes para provocar respostas imunes. Os trabalhos anteriores de Schwartzbaum descobriram que alergias pareciam oferecer proteção contra o câncer cerebral.

No estudo, Schwartzbaum avaliou 277 citocinas em amostras de sangue e encontrou uma menor interação de citocinas no sangue de pessoas que desenvolveram câncer.

“Houve um claro enfraquecimento daquelas interações no grupo o qual desenvolveu câncer cerebral e é possível que isso desempenhe um papel no crescimento e desenvolvimento do tumor”, disse Schwartzbaum.

A atividade de citocina no câncer é especialmente importante para entender por que ela pode desempenhar um papel positivo no combate ao desenvolvimento do tumor, mas ela também pode ter o papel de vilã e dar suporte ao tumor suprimindo o sistema imune, de acordo com Schwartzbaum.

Além de descobrir o enfraquecimento de interações de citocina no sangue de futuros pacientes de câncer, os pesquisadores encontraram um apanhado de citocinas que parecem desempenhar um papel especialmente importante no desenvolvimento do glioma.

Os resultados deste estudo precisam ser confirmados e avaliados antes que possam ser traduzidos em mudanças no diagnóstico precoce de câncer cerebral, mas a descoberta oferece informações importantes, explicou Schwartzbaum.

“É possível que isso também possa acontecer com outros tumores - que se trate de um sinal de desenvolvimento tumoral em geral”, disse ela.

Universidade Estadual de Ohio
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