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Nações Pobres Exigem Apoio Contra Mudanças Climáticas

Negociações sobre o clima indicam que US$100 bilhões anuais estão longe de ser suficientes

carlos castilla / shutterstock
Em 27 de novembro, o dinheiro roubou a cena em Doha, no Qatar, enquanto países vulneráveis declaravam que US$100 bilhões anuais até 2020 são insuficientes para protegê-los da mudança climática.

Falando durante o segundo dia das negociações de mudança climática da ONU, diplomatas do Malávi e do Zimbábue exigiram mais transparência dos países desenvolvidos que alegam fazer doações em dinheiro. E, de acordo com eles, um projeto claro para melhorar o auxílio entre 2013 e 2020 é essencial.

“Esse mapa de finanças climáticas será necessário... Ele é um pré-requisito para qualquer resultado bem sucedido em Doha”, declarou Evans Njewa do Malávi, que está coordenando assuntos relacionados a problemas financeiros para nações menos desenvolvidas.

Países desenvolvidos alegam já ter completado a obrigação de entregar US$30 bilhões para nações pobres nos últimos três anos. Enquanto isso, países estão construindo um Fundo Climático Verde para cumprir a próxima promessa: cerca de US$100 bilhões de dólares anuais, recursos de origem pública e privada para auxiliar com o clima.

Mas os anos intermediários permanecem indefinidos, e alguns ativistas dizem temer que países acabarão sem obrigações formais de fornecer um aumento estável de dinheiro nessa década.

Enquanto isso, de acordo com Njewa, “A promessa de US$200 bilhões do Acordo de Copenhague não é adequada”. Em vez disso, declarou ele, nações vulneráveis precisam de aproximadamente US$600 bilhões anualmente, ou 1,5% do produto interno bruto de nações industrializadas.

“Estamos sendo muito conservadores”, acredita David Kaluba, economista chefe do Ministério das Finanças da Zâmbia. De acordo com ele, países vulneráveis, em sua maioria dependentes de uma agricultura alimentada por água da chuva, e sem capacidade interna de se adaptar, enfrentam desafios enormes.

“Cem bilhões é uma quantia mínima se comparada à tarefa que está diante de nós e, preste atenção, a mudança climática não é um problema do futuro”, declarou ele.

Ainda nesta semana, os Estados Unidos anunciaram já ter entregue US$7,5 bilhões em doações, desenvolvimento e financiamento de exportações de 2010 a 2012. O Japão declara já ter entregue US$17,4 bilhões.

Esforços ‘enormes’ podem não ser suficientes

Mas negociadores de países em desenvolvimento dizem duvidar que países ricos de fato honraram suas promessas coletivas. De acordo com o Instituto Internacional de Ambiente e Desenvolvimento, com sede no Reino Unido, países ficam longe da meta, entregando US$23,6 bilhões.

E grupos ambientais norte-americanos alertam que a ajuda dos Estados Unidos para a energia limpa por meio do Banco de Importações e Exportações foi enfraquecida pelos quase US$10 bilhões que passaram por essa agência para apoiar combustíveis fósseis.

Neste momento a administração Obama está em Doha , dizendo que estamos fazendo esforços ‘enormes’ para reduzir emissões mas, ao mesmo tempo, uma agência sob o controle direto do presidente estabeleceu um novo recorde de subsídios para combustíveis fósseis”, aponta Justin Guay, ativista do Sierra Club.

“Eu acho que isso diz muito sobre o discurso duplo da administração sobre a mudança climática”, apontou ele. “Por um lado, eles estão apoiando investimentos maiores em energia limpa, o que é muito importante e certamente bem-vindo. Mas, ao mesmo tempo, eles estão financiando diretamente o problema”.

A discussão veio durante o debate de abertura do dia 27, sobre como seria um novo tratado assinado até 2015, que entraria em vigor em 2020. Um acordo feito no ano passado em Durban, na África do Sul, para lançar um processo na direção desse novo tratado delineou uma nova maneira de enfrentar a mudança climática em que todos os emissores, não apenas nações ricas e industrializadas, assumiriam obrigações legais. 

Essa noção, porém, pareceu atingir uma barreira retórica conforme países começaram a exigir que não houvesse nenhuma “reescritura” da convenção climática da ONU, que pede “responsabilidades comuns, mas diferenciadas” entre as nações.

“A Plataforma Durban não é, de maneira nenhuma, um processo para negociar um novo regime, nem para renegociar, reescrever ou reinterpretar a convenção ou seus princípios”, disparou o principal negociador da China, Su Wei.

Preocupações com aquecimento catastrófico

Ele e diplomatas de outros países apontaram outra diferença preocupante: entre as promessas de emissão que países fizeram para 2020 e o que cientistas afirmam ser necessário para evitar um aquecimento catastrófico.

O negociador de Nehru declarou que um plano de trabalho para determinar maneiras de elevar as ambições antes de 2020 é “um dos elementos centrais do pacote” e “uma linha vermelha absoluta” para pequenas nações-ilhas.

“Essa é a única razão pela qual fomos capazes de chegar a um consenso sobre um mandato que não veria um novo protocolo em efeito até 2020”, destacou ele, exigindo um programa compreensivo para que as partes identifiquem políticas custo-eficazes e medidas para reduzir ainda mais as emissões de gases estufa. 

Johnathan Pershing, enviado especial do Departamento de Estado para a Mudança Climática declarou na segunda-feira que os Estados Unidos estão no caminho para atingir sua meta de Copenhague reduzindo suas emissões para 17% abaixo dos níveis de 2005 nesta década. Mas ele também apontou que é improvável que os Estados Unidos e outros países alterem suas metas para 2020.

A Austrália, falando para uma coalizão de países da ONU que incluiu os Estados Unidos, exigiu que países começassem a trabalhar em um acordo para 2020 que fosse aplicável a todos os emissores. Observando que uma nova maneira de atribuir responsabilidades “sinalizava para o mundo que não mais deixaríamos divisões entre partes atrapalharem nosso objetivo”, o negociador australiano declarou que Doha deve entregar um plano claro para o ano que vem.

“Não temos o luxo de dar um passo para trás”, finalizou ele.

Republicado de Climatewire com permissão de Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net, 202-628-6500
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