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Nações se reúnem para debater implementação de medidas climáticas

Sistema para rastrear e monitorar avanços de cada país será articulado

 

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Autoridades mundiais durante a COP 21, em 2015

Quase 200 nações se encontram hoje em Marrakech, no Marrocos, para a 22ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22). O evento anual,  com duração de duas semanas, começa apenas dias depois de o acordo climático de Paris, firmado em 2015, ter entrado em vigor — o que significa que os países são obrigados legalmente a cumprir seus objetivos— no dia 4 de novembro. Ainda que muitos estejam celebrando esse sucesso, representantes presentes na COP 22 precisam mostrar como pretendem cumprir suas promessas, a saber, a redução de emissões de carbono, para que o mundo possa evitar os piores efeitos da mudança climática.

Muitas pessoas esperavam que a ratificação do acordo de Paris demorasse anos, ou talvez décadas. Em vez disso, levou apenas meses para que o número suficiente de países — 55 nações, representando juntas 55% das emissões globais — se juntassem ao acordo. Hoje, 97 países que produzem 69% das emissões globais ratificaram o acordo, e prometeram fazer sua parte para limitar as emissões de modo que as temperaturas globais não subam mais do que 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. O acordo também encoraja as nações a tentar ir além e limitar o aumento global de temperatura a 1,5 grau Celsius.

 

O acordo foi uma grande passo porque as nações prometeram reduzir a emissão de gases do efeito estufa significativamente. Os EUA, por exemplo, se comprometeram a cortar suas emissões entre 26% e 28% abaixo dos níveis de 2005 até 2015. Agora, na COP 22, as nações focarão em como implementar o acordo na prática.

 

Elas precisam decidir como farão para ter certeza de que as promessas serão cumpridas, o que significa conceber maneiras de acompanhar, analisar e reportar as emissões de cada país, para checar seu progresso. Negociadores também discutirão como fazer as revisões de cinco anos nos planos de ações climáticas de cada país. Nesse período, os países deverão monitorar frequentemente se estão atingindo seus objetivos ou se deverão aumentar os cortes nas emissões.  Nações desenvolvidas também devem decidir os detalhes relacionados ao fornecimento de ajuda financeira para países em desenvolvimento. O último cálculo tinha ficado em US$ 100 bilhões por ano em financiamento, mas não está claro se as nações mais ricas estão comprometidas o suficiente para alcançar tal valor. Os representantes ainda precisam resolver problemas como o que exatamente conta como financiamento climático e como usar os fundos.

 

“Esse é o ano de decidir o processo e os próximos serão os anos de implementá-lo”, explica Paula Caballero, diretora global do Programa Climático do Instituto Mundial de Recursos. “Até 2018, precisamos pensar em um esclarecimento das regras e processos para implementação do acordo histórico que firmamos em Paris no ano passado”. Ainda que isso signifique que provavelmente não teremos aquele final emocionante que tivemos em Paris em 2015, a COP 22 ainda é fundamental para solucionarmos a mudança climática.

 

A reunião das Nações Unidas este ano vem na sequência de um período de intenso combate visando a mudança climática. Em outubro, mais de 170 países acordaram em eliminar gradativamente o uso de um potente gás de efeito estufa, conhecido como hidrofluorcarboneto. A indústria da aviação também concordou, recentemente, em limitar ou equilibrar suas emissões de carbono. Mas, mesmo assim, o mundo não está perto de atingir sua meta climática. Um relatório publicado pelas Nações Unidas na semana passada revelou que mesmo que cada país cumpra sua promessa de redução das emissões feita no ano passado em Paris, as temperaturas mundiais ainda ultrapassariam o limite de 2 graus Celsius. A COP 22 é necessária para iniciar um trabalho importante em direção a esse limite, mas, para o mundo, ainda há muito trabalho a ser feito.

 

Annie Sneed

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