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NASA vai retornar à Lua, diz Trump

Astronautas dos Estados Unidos visitaram a superfície lunar pela última vez nos anos 1970

NASA
Trump assinando a diretriz na Casa Branca.
O presidentes dos Estados Unidos Donald Trump assinou assinou uma diretriz no dia 11 de dezembro, segunda-feira, que instrui a NASA a enviar astronautas novamente para a Lua.

A ordem vem sem um prazo específico e, até o momento, sem financiamento. Porém, a administração de Trump já tem sinalizado seu interesse em levar humanos novamente à superfície da Lua, dando aos cientistas lunares a esperança de uma mudança formal na política.

“Isto é muito importante”, diz David Kring, geólogo do Instituto Lunar e Planetário em Houston, Texas, que recentemente trabalhou com possíveis locais de pouso na Lua para astronautas.

Diferentemente das missões Apollo nos anos 1960 e 1970, o novo impulso lunar da NASA deve envolver colaboração internacional. “Os Estados Unidos trabalharão com outras nações e com a indústria privada para levar novamente astronautas para a Lua, desenvolvendo a tecnologia e os meios para a exploração de Marte e outros destinos no Sistema Solar”, disse a Casa Branca em um comunicado.

A política espacial do ex-presidente Barack Obama direcionou a NASA a enviar astronautas para um asteroide como um passo intermediário no caminho a Marte.

Diversas companhias comerciais provavelmente se beneficiaram do novo impulso, incluindo a Moon Express em Cabo Canaveral, Flórida, e a Astrobotic de Pittsburgh, Pensilvânia. Ambas estão desenvolvendo pousadores lunares.

Bilhete de retorno

As agências espaciais de 14 nações têm elaborado projetos de como missões tripuladas para a superfície lunar podem se desenrolar. O Grupo Internacional de Coordenação de Exploração Espacial prevê cinco visitas, cada uma delas envolvendo quatro astronautas, a cinco locais de pouso diferentes durantes cinco anos. Em cada visita, os astronautas ficariam até 28 dias na superfície da Lua, dirigindo um rover para explorar cada região.

Depois de a tripulação deixar a Lua, os controladores da missão da NASA dirigiriam remotamente o rover para o próximo local de pouso esperado. Ao longo do caminho, ele poderia coletar dados científicos sobre fenômenos como o gelo de água em crateras. De acordo com um cenário publicado pelo grupo de trabalho em 2015, o primeiro local de pouso seria Malapert Massif, uma montanha próxima ao polo sul lunar, seguido de um cume alto mais próxima do polo. Em seguida, viriam a cratera Schrödinger, que mostra sinais de atividade vulcânica recente, e a cratera Antoniadi. A parada final seria um lugar dentro da bacia Aitken, do Polo Sul - a maior e mais antiga cratera de impacto da Lua, a qual expõe o interior lunar.

“Para mim, [a Lua é] o melhor lugar para responder a questões fundamentais sobre a origem do Sistema Solar, a evolução das órbitas planetárias, a acreção da Terra e, indiscutivelmente, a origem do nosso planeta”, diz Kring. “E isto está a três dias de distância.”

A NASA já está desenvolvendo um foguete pesado e um veículo tripulado que poderia levar astronautas à Lua. Eles não estariam prontos antes do início dos anos 2020. O equipamento mais significativo o qual a agência ainda precisaria desenvolver para colocar astronautas na superfície lunar seria uma nave capaz de pousar.

O candidato de Trump para o comando da NASA, o congressista de Oklahoma Jim Bridenstine, ainda não foi confirmado pelo senado estadunidense.

Alexandra Witze, Nature

Este artigo é reproduzido com permissão e foi originalmente publicado em 11 de dezembro de 2017.
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