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Neurônios espelho podem refletir ódio

Neurônios espelho distinguem pessoas de quem gostamos das que não gostamos

Juan Gaertner/Shutterstock
Por Daisy Yuhas

Acredita-se que simular mentalmente as ações de outros seja um componente fundamental da empatia. Mas uma nova pesquisa sugere que nossos neurônios espelho também podem esconder divisões ocultas.

Um estudo publicado em outubro no periódico PLOS ONE revela que um desses neurônios imitadores não reflete todas as pessoas de maneira igual.

Neurônios espelho foram descobertos no início dos anos 1990, e sua existência foi uma revelação neurocientífica: células cerebrais não disparam apenas quando realizamos determinada ação, elas também disparam quando vemos alguém agir.

Muitos trabalhos subsequententes também sugerem que neurônios espelho formam a base da cognição social.

Agora novas pesquisas estão descobrindo que nosso sistema de neurônios espelho distingue entre pessoas que são física e culturalmente semelhantes, e aquelas que não são.

O novo trabalho investigou ainda mais essas diferenças.

No estudo, pesquisadores pediram a 17 jovens adultos judeus para revisar as biografias e fotografias de oito indivíduos que se pareciam fisicamente com os participantes.

Metade desses personagens, desempenhados por atores, foram identificados como neo-nazistas. Os participantes relataram forte aversão aos personagens antissemitas, mas não aos outros.

Em seguida, participantes passaram por exames de ressonância magnética funcional, enquanto assistiam a um vídeo de cada personagem bebendo de uma garrafa d’água.

Os pesquisadores se concentraram no córtex ventral pré-motor, uma região tipicamente ativa quando realizamos uma ação ou vemos alguém fazê-lo. Eles descobriram que neurônios desta região eram ativados de maneira diferente quando indivíduos observavam personagens detestáveis ou agradáveis.

Como acredita-se que a atividade dos neurônios espelho seja uma muito básica na função cerebral – e isso pode ser visto em muitos animais além de humanos – a nova descoberta apoia a noção de que nosso cérebro é predisposto a distinguir entre “nós e eles”.

Essa distinção pode ser benéfica, encorajando a cautela quando estamos entre pessoas com intenções nocivas, ou com preconceitos perigosos, enraizados. É preciso, no entanto, refletir antes de interpretar impulsivamente o outro. 

Este artigo foi originalmente publicado com o título  Mental Mirrors Reflect Hatred.