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04 de março de 2008
No que pensamos quando tentamos resolver problemas?
Pesquisas revelam o que acontece no cérebro enquanto enfrentamos um dilema
por Nikhil Swaminathan
EURECA! Dois novos estudos se dedicam a descobrir o que acontece com a mente quando alguém tenta encontrar a solução para um problema.
“Ahá! Eureca! Bingo! Finalmente, acho que caiu a ficha!” Todos conhecem bem a sensação de quando finalmente resolvemos um problema aparentemente impossível. Mas, afinal, o que acontece no cérebro enquanto queimamos os neurônios para solucionar uma questão? Pesquisadores ansiosos para desvendar esse mistério há tempos buscam uma resposta, sabendo que essas informações poderiam um dia resultar em pistas inestimáveis para a descoberta e correção de sistemas neurais defeituosos que aparentemente estão por trás de algumas doenças mentais e dificuldades de aprendizado.

Os pesquisadores da Goldsmiths, University of London, divulgaram no jornal PLoS ONE que monitoraram o funcionamento do cérebro de 21 voluntários com a ajuda de eletroencefalograma (EEG), durante um estudo sobre problemas verbais, para saber ro que se passa na mente – literalmente – e no cérebro no momento exato da descoberta da solução.

“Essa constatação está no cerne da inteligência humana... é uma função cognitiva importante da qual os humanos devem se orgulhar", afirma Joydeep Bhattacharya, professor-assistente no departamento de psicologia da Goldsmiths. “Estamos interessados em descobrir se ocorre uma mudança repentina ou se há algo que muda gradualmente, e que é não percebido conscientemente”, explica. Os pesquisadores acreditam que poderiam reconhecer sinais cerebrais que os permitiriam predizer se uma pessoa seria capaz de resolver um problema em particular ou não.

Em muitos casos, os voluntários chegam a um beco sem saída, ou, como dizem os pesquisadores, a um "impasse mental". Se os participantes chegassem a um determinado ponto no experimento, poderiam pressionar um botão para conseguir uma dica que os ajudaria a resolver um problema. Bhattacharya explica que blocos associados a fortes freqüências de ondas gama (um padrão de atividade de ondas cerebrais associado à atenção seletiva) no córtex parietal, uma região na parte traseira superior do cérebro que está envolvida na integração das informações vindas dos sentidos, têm relação com as dicas dadas no experimento. A equipe percebeu um fenômeno interessante no cérebro dos participantes que recebiam uma mãozinha: as dicas tinham menos probabilidade de ajudar se os voluntários apresentassem um padrão especialmente alto de freqüência de ondas gama. A razão, especula Bhattacharya, é que esses participantes estavam, basicamente, presos a uma forma inflexível de raciocínio e eram menos capazes de libertar sua mente – e, dessa forma, incapazes de reestruturar os problemas que tinham em mãos.
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