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Nova Iorque planeja liderança em reciclagem

Além de reciclar mais, quer inspirar outras cidades

Flickr/Doonvas
A taxa de reciclagem de Nova York é de 15%, menos da metade da média nacional de 34%. Imagem: 

 
By Katherine Tweed

 Em um grande píer que se estende até o East River no sul do Brooklyn, a cidade de Nova York está dando os retoques finais em uma massiva usina de reciclagem, revestida com tecnologia de ponta e construída com aço reciclado.

Quando for aberta neste verão boreal, ela será a maior usina “combinada” da América do Norte, o que significa que ela consegue lidar com tudo: de arquivos de metal a potinhos de iogurte. Com um custo estimado de US$180 milhões, a usina é a maior aposta da Big Apple de que a cidade não apenas pode melhorar sua taxa de reciclagem, mas ultrapassar outras cidades dos Estados Unidos e se tornar um dos líderes de reciclagem do país.

E esse seria um salto e tanto. Se comparada a outras cidades, a taxa de reciclagem de Nova York é insignificante – meros 15%, menos da metade da média nacional de 34%.

Isso põe Gotham muito atrás de Los Angeles, San Diego, Portland (Oregon), e San Francisco, que alegam desviar entre 65 e 75% de seu lixo de aterros.

O prefeito Bloomberg estabeleceu um objetivo de 30% até 2017. “Nova York definitivamente pode ficar acima de 30%”, declara Ron Gonen, vice-comissário de saneamento, reciclagem e sustentabilidade da cidade de Nova York. “Podemos dar o exemplo para o resto da América do Norte”.

Na última década, muitas cidades abriram instalações de fluxo único, que tendem a encorajar maiores taxas de participação porque pessoas não tem que separar nada, e mesmo assim produzem materiais de baixa qualidade que às vezes são exportados ou levados a aterros.

“Existe uma tênue linha entre tornar as coisas simples demais – e produzir lixo”, observa Tom Outerbridge, administrador geral de reciclagem municipal da Sims Recycling Solutions, uma empresa global que administra parte das operações de reciclagem de Nova York.

Nova York ainda é uma cidade de fluxo duplo, onde o papel é separado de potinhos e metais, o que produz materiais de mais qualidade que podem conseguir preços mais altos em mercados de commodities. A desvantagem é que o fluxo duplo requer mais caminhões de coleta.

A primeira coisa que a usina do Brooklyn fará é rasgar e remover as sacolas plásticas que tantos nova-iorquinos usam para empacotar seus recicláveis.

O vidro será moido, separado e transportado pelo Porto de Nova York até Nova Jersey, onde ele passará por uma nova máquina de raios-x para ser novamente separado; contaminantes como boro e vidro com chumbo também serão removidos. 

De volta ao Brooklyn, outros recicláveis passam por uma correia transportadora enquanto imãs extraem metais ferrosos.

O plástico e o alumínio restantes são passados por correntes de Foucault, que extraem o alumínio. O fluxo então passa por quatro separadores balísticos, que agem como uma série de peneiras e agitadores para remover qualquer material bidimensional restante, como contaminantes de papel, de contêineres tridimensionais.

Os vários contêineres plásticos e assépticos, que incluem caixas de leite e de suco, passam por uma série de sensores óticos de infravermelho próximo que separam plásticos com base em seu tipo de polímero.

Quando um sensor encontra o que está procurando, como uma garrafa PET ou caixinha de suco, jatos de ar lançam o material para fora do fluxo. Enquanto a maioria das instalações são equipadas com um ou dois sensores óticos, a do Brooklyn tem 16, o que significa que ela pode separar quase todo o material automaticamente.   

Mas nem isso é suficiente para colocar Nova York entre os líderes nacionais.

De acordo com Gonen, a cidade também precisará construir ou aprimorar programas existentes para lixo orgânico, têxteis e lixo eletrônico (e-lixo), San Francisco, por exemplo, foi bem sucedida porque exige e obriga que residentes e comércios também coletem lixo orgânico para compostagem.

“Apenas cerca de 35% [do que é jogado fora] é de recicláveis tradicionais”, explica Gonen. “Será impossível passar de 40% se nos concentrarmos apenas em uma parte do fluxo de lixo”.

O lixo orgânico, incluindo restos de comida e podas de jardim, compreende cerca de 35% do fluxo de lixo de Nova York.

A cidade está lançando um programa piloto neste ano para coletar lixo orgânico que poderia ser expandido para a cidade inteira. Gonen aponta que também existem planos para tornar mais fácil reciclar têxteis e e-lixo, que compõe cerca de 10% do fluxo total. A cidade também terá que remendar seus esforços para engajar e regular o setor comercial, onde a fiscalização da reciclagem atualmente é fraca. 

“Grande parte disso depende de mudanças de infraestrutura, mas também de mudanças de comunicação e comportamento”, lembra Gonen.

A instalação do Brooklyn será equipada com uma classe para alunos aprenderem sobre reciclagem. Nova York também usará mais balsas para movimentar a reciclagem, o que deve deslocar 418.400 quilômetros de veículos todos os anos.Quando perguntamos se a cidade poderia alcançar a taxa relatada de 80% de San Francisco, Gonen não hesitou: “Sim. Definitivamente podemos chegar perto disso”.

Apesar de a maior metrópole dos Estados Unidos estar brincando de pega-pega, a escala da cidade e sua variedade de parques habitacionais poderiam fornecer lições para muitas outras cidades dos Estados Unidos procurando se re-comprometer com a reciclagem. “Se você conseguir fazer isso funcionar em Nova York”, declara Gonen, “você pode fazer funcionar em qualquer lugar”.