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Nova vacina é esperança contra crise de opioides

Vacina experimental bloqueia os efeitos da heroína em estudos pré-clínicos

MHRP
Pesquisadores do Programa Militar de Pesquisa sobre HIV (MHRP, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, no Instituto de Pesquisa do Exército Walter Reed (WRAIR, na sigla em inglês), relatam que uma vacina experimental para heroína induziu anticorpos a impedir que a droga cruzasse a barreira entre sangue e cérebro em camundongos e ratos. A vacina foi co-desenvolvida no Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA, na sigla em inglês), parte do Instituto Nacional de Saúde, o qual financiou a pesquisa pré-clínica.

“Ao provocar anticorpos que se vão se ligar à heroína no sangue, a vacina pretende bloquear a euforia e os efeitos viciantes”, disse Gart Matyas, chefe de Adjuvantes e Formulações do MHRP. “Esperamos dar às pessoas uma alternativa para superar seus vícios.”

O estudo, publicado na revista científica Journal of Medicinal Chemistry, mostrou que a vacina levou à produção de anticorpos contra outros opióides comumente usados de forma errada, incluindo hidrocodona, oxicodona, hidromorfona, oximorfona e codeína. A vacina pareceu diminuir o impacto da heroína em alta dosagem, o que pode indicar potencial para uso na prevenção de overdoses.

Num contexto clínico, é essencial que os anticorpos induzidos por uma vacina para heroína ou opioides não reajam de forma cruzada com as terapias para uso indevido de opioides, como metadona, buprenorfina e naltrexona. Os pesquisadores descobriram que os anticorpos não reagiram com esses compostos e, ainda mais importante, os anticorpos induzidos pela vacina não reagiram de forma cruzada com a naloxona, utilizada como tratamento de resgate de overdose para reverter a depressão respiratória devido à overdose de heroína e outros opioides.

Embora o uso de opioides para o tratamento da dor em pessoas que sofrem de dependência seja motivo de preocupação, os pesquisadores descobriram que metadona, tramadol, fentanil, sufentanil, nalbufina e buprenorfina não se ligavam aos anticorpos, indicando que poderiam ser utilizados caso o tratamento para dor aguda fosse necessário para uso de emergência em pacientes vacinados. Eles também descobriram que não ocorriam ligações moleculares com os analgésicos não narcóticos como aspirina, ibuprofeno e acetaminofeno, o que indica que provavelmente eles provavelmente permaneceriam eficazes em caso de uso simultâneo.

O uso indevido de opioides, entre os quais se incluem heroína e fentanil, é um problema crescente nos EUA. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês), 91 estadunidenses morrem a cada dia por overdose de opioides. A maioria dos tratamentos farmacológicos para uso indevido de opioides envolvem terapia de administração de opiáceos (OMT, na sigla em inglês), mas o acesso ao tratamento é um problema. Além disso, a adesão varia muito e as taxas de recaída podem ser altas. Para acabar com a crise de overdose de opioides, serão necessários diversos tipos diferentes de tratamentos e medicamentos para atender às necessidades de indivíduos viciados em drogas.

“Embora ainda estejamos em uma fase inicial, este estudo sugere que a vacinação pode ser usada juntamente de terapias convencionais para prevenir sintomas de abstinência e desejo associados com a interrupção do uso do opioide”, disse Matyas.

Os pesquisadores da WRAIR alavancaram sua experiência no desenvolvimento de vacinas e na pesquisa de novos adjuvantes para desenvolver esta vacina experimental de heroína com seus parceiros no NIDA. A vacina inclui um potente adjuvante para estimular o sistema imunológico chamado Formulação de Lipossoma do Exército (ALF, na sigla em inglês), o qual também foi desenvolvido por pesquisadores da WRAIR. A vacina foi desenvolvida em conjunto com cientistas da Seção de Desenvolvimento e Síntese de Drogas (Kenner C. Rice, chefe da seção), Metas Moleculares e Ramos de Descoberta de Medicamentos, NIDA.

Programa Militar de Pesquisas sobre HIV dos Estados Unidos
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