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Novo mapa pode apoiar buscas ao avião da Malaysian Airlines

Detalhes do estudo podem servir guiar equipamentos sob o oceano

mage credit: Walter H. F. Smith and Karen M. Marks / AGU
Por Geoffrey Giller

Cientistas mapearam a topografia submarina do local que agora é o foco da busca do avião da Malaysia Airlines voo MH370 que desapareceu sobre o oceano Índico em 8 de março.

Dados de satélites recém-divulgados parecem confirmar que o avião caiu no Índico. Walter Smith e Karen Marks, do Laboratório de Altimetria por Satélite da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), criaram o novo mapa (publicado em 27 de maio no jornal semanal da American Geophysical Union) a partir de dados coletados por um projeto não relacionado para mapear o leito marinho.

O mapa mostra um terreno acidentado, com cordilheiras irregulares e montanhas submarinas a vários quilômetros abaixo da superfície do mar, o que poderia ser um desafio para a busca de um submersível. Mas o mapa também poderia servir como um valioso guia para os equipamentos de busca.

Para criar o mapa, Smith e Marks empregaram a altimetria por satélite, uma técnica que se vale do fato de todos os objetos terem gravidade.

Objetos massivos, como montanhas submarinas, têm gravidade suficiente para afetar ligeiramente o ângulo e a altura da superfície do mar acima deles. “Do espaço, podemos medir o nível do mar com uma precisão de 2,54 centímetros”, esclarece Smith.

O uso de satélites para medir pequenas diferenças em altura e ângulo da superfície do mar, junto com algumas informações de navios para calibrar os dados do satélite, é possível deduzir a topografia do leito marinho abaixo.

Smith salienta que a resolução do mapa da NOAA é muito grosseira; que é preciso uma montanha bem grande para gerar uma diferença detectável na superfície oceânica. Mas acrescenta que esse tipo de mapa precisa estar disponível antes que os veículos subaquáticos, possivelmente capazes de detectar destroços, possam ser efetivamente usados. “Não seria possível fazer esse tipo de reconhecimento sem saber primeiro em que tipo terreno você está trabalhando e até que profundidade terá que descer”,acrescenta.

Smith acredita que o mapa será útil para determinar que tipos de veículos submarinos deveriam ser utilizados na busca do campo de destroços do avião no fundo do mar, porque veículos submarinos autônomos (robóticos) só podem submergir até determinadas profundidades.

O Bluefin-21, por exemplo, um veículo submarino autônomo que tem sido utilizado na busca do avião desaparecido, foi concebido para mergulhar apenas até 4.500 metros de profundidade. Mas o ponto mais profundo no novo mapa é de cerca de7.880 metros.

Ecossondagens de navios fornecem medições muito mais precisas, afirma Smith, mas só 5% do leito oceânico foi mapeados desse modo. O novo mapa, por mais irregular que seja, preenche algumas lacunas muito relevantes.

No mapa, as linhas tracejadas limitam a zona de busca por destroços. O círculo preto indica o primeiro contato sonar relatado por um navio chinês; o círculo vermelho indica a detecção sonar de um navio australiano; o ponto mais profundo é indicado pela letra D, e o mais raso por um S. O círculo cinza é o lugar de uma operação de perfuração profunda em águas marinhas.

Crédito da imagem: Walter H. F. Smith e Karen M. Marks / AGU

 

Sciam 28 de maio de 2014