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Novo prêmio favorece ousadia e talento científico

Cada um dos vencedores do maior prêmio para jovens cientistas ganhou U$250 mil

Por Ben Fogelson

É bom ser jovem. Três pesquisadores de biologia, química e física venceram o Prêmio Blavatnik Para Jovens Cientistas, um novo prêmio nacional para cientistas promissores com menos de 42 anos.

O prêmio de US$250 mil, estabelecido pela fundação beneficente do bilionário Leonard Blavatnik, atualmente é a maior quantia em dinheiro concedida a cientistas em início de carreira em diversas áreas. Em comparação, Prêmios Nobel valem US$1,2 milhão e são divididos entre até três pesquisadores enquanto os Prêmios Breakthrough, criados recentemente, concedem US$3 milhões para cada vencedor. Nenhum deles fica restrito a cientistas mais jovens.

Os concorrentes ao Prêmio Blavatnik foram julgados com base em sua ousadia científica, promessa futura e realizações anteriores. “Nós temos a impressão de que o melhor trabalho deles ainda não foi realizado”, explica Mercedes Gorre, diretora executiva do programa do prêmio.

O vencedor Marin Soljačić, 40, projeta materiais com propriedades ópticas e eletromagnéticas exóticas, e pesquisa tecnologias para transferência sem fio de energia. Soljačić admite que suas abordagens não são convencionais. “Pessoalmente, e de propósito, eu tento dar passos ousados e arriscados”, declara ele, “em vez de procurar projetos mais ‘seguros’”. O prêmio “é uma grande confirmação de que meu modo de fazer as coisas funciona”, comenta Soljačić, físico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. “Isso vai me inspirar a dar passos ainda mais ousados em minhas pesquisas futuras”. 

Para Adam Cohen, 35, químico da Harvard University também vencedor, o prêmio impulsiona sua dedicação a projetos mais arriscados. “Estou sempre cheio de ideias malucas”, brinca Cohen, “Acho que o reconhecimento e o apoio tornarão mais fácil fazer coisas não convencionais, ou explorar novas direções”.

O trabalho anterior de Cohen não é nem um pouco convencional. Ele inseriu uma proteína extraída de uma bactéria exótica do Mar Morto em neurônios, fazendo essas células cerebrais emitirem pulsos luminosos quando se comunicavam por sinais elétricos. Observar essa luz ajudará cientistas a estudar a interação de neurônios. “O cérebro é um dos elementos mais misteriosos do Universo... e isso nos permite ver o que está acontecendo dentro de nossas próprias células”, aponta ele. “Cada pensamento, sentimento, esperança e sonho que temos está codificado nesses padrões de impulsos elétricos”.

Rachel Wilson, 40, também passa seu tempo desvendando os mistérios do cérebro, mas de uma maneira muito diferente. Wilson, neurobióloga de Harvard, recebeu seu prêmio por estudar o cérebro de moscas das frutas e tentar decodificar os sinais elétricos que dão origem a fenômenos complexos, como a sensação de cheiro. “Se compreendermos como funciona o cérebro de uma mosca, teremos um modelo melhor para a abordagem de cérebros mais complexos”, explicou Wilson em uma declaração preparada.  

Wilson, Soljačić e Cohen sobreviveram a um processo que selecionou 322 indicados de 164 universidades dos Estados Unidos até restarem 30 finalistas e, por fim, três vencedores. Os três já são super estrelas que venceram outros prêmios reconhecidos. Em 2008, Wilson e Soljačić receberam Bolsas MacArthur – conhecidas popularmente como “bolsas de gênios” – e em 2011 Cohen recebeu uma bolsa da Fundação Alfred P. Sloan.

Dadas essas conquistas, sem mencionar que eles são professores de Harvard e do MIT, duas das mais respeitadas universidades do mundo, é justo imaginar se os novos prêmios vão alterar a trajetória de suas carreiras. “Essa é uma ótima pergunta”, comenta Gorre, observando que como esse prêmio é muito novo, só o tempo dirá. Além do prestígio e do dinheiro, a esperança de Gorre é que o prêmio traga mais atenção a esses acadêmicos. “O que esperamos conseguir individualmente para eles é que possam falar sobre seu trabalho para uma audiência maior”, explica ela.

Revelar cientistas inspiradores poderia diferenciar o Prêmio Blavatnki de outras bolsas e concessões, prêmios acadêmicos mais tradicionais. “Vamos premiar para colocar um pessoal mais jovem no palco e deixar que eles nos mostrem como são bons”.

Cohen concorda, comentando que, ainda que espere que o prêmio vá ajudá-lo a desenvolver novas pesquisas inovadoras, seu maior efeito poderia ser para inspirar outros. “Eu realmente acho que o impacto de prêmios como este”, explica Cohen, “é maior sobre cientistas jovens que ainda estão tentando decidir o que fazer ao mostrar que é possível ser jovem e fazer coisas novas, e que existe muito o que explorar e descobrir”.