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Trigo geneticamente modificado possui menos glúten

Remover proteínas causadoras de doenças poderia torná-lo seguro para celíacos

Pixabay
Um pão recém-assado é tão delicioso quanto uma nuvem macia e fofa em um dia de verão. O que dá ao pão muito da sua atraente textura é o glúten, um grupo de proteínas encontradas em trigo, centeio e cevada. Porém, em pessoas com um transtorno autoimune sério chamado doença celíaca, o glúten danifica o intestino delgado. Muitos outros podem sofrer com uma intolerância mais suave ao glúten, e evitam alimentos que o contenham.

A maioria dos pães livres de glúten é feita de farinhas alternativas, como de arroz ou de batata, e por isso possui um gosto diferente do pão feito com trigo. Hoje, no entanto, pesquisadores dizem que encontraram uma forma de produzir geneticamente uma variedade de trigo que possui quantidade muito menor do tipo mais problemático de glúten - mas ainda tem outras proteínas que dão ao pão seu gosto e flexibilidade característicos.

Colheitas geneticamente modificadas são objeto de debate intenso ao redor do mundo; alguns países, incluindo França e Alemanha, proíbem seu cultivo. A maior preocupação envolve a prática de inserir DNA de uma espécie em outra, diz Francisco Barro, biotecnólogo de plantas do Instituto de Agricultura Sustentável na Espanha. Para evitar esse cruzamento genético, Barro e seus colegas utilizaram a técnica de edição gênica CRISPR/Cas9 para cortar os genes selecionados de um genoma de trigo.

Seu estudo focou em alfa-gliadinas, as proteínas do glúten as quais se acredita serem as maiores responsáveis pelos problemas que o trigo pode gerar no sistema imune. Os pesquisadores criaram pedaços de material genético que direcionavam a proteína Cas9, semelhante a uma tesoura, a cortar 35 dos 45 genes de alfa-gliadina. Quando o trigo modificado foi testado em uma placa de Petri, ele produziu uma resposta imune 85% mais fraca, relatou a equipe em setembro da revista científica virtual Plant Biotechnology Journal.

Wendy Harwood, geneticista de culturas no Centro John Innes, na Inglaterra, que não fez parte do estudo, observa que o trigo produzido ainda tem um caminho a percorrer antes de se tornar algo comerciável. “Não acredito que seja o fim da história”, ela diz. “É apenas um passo realmente importante para eventualmente produzir algo que será incrivelmente útil”. A fim de desenvolver um tipo seguro de trigo para pacientes celíacos, os pesquisadores podem precisar mirar em outros genes do glúten. Barro diz que sua equipe está trabalhando nisso.

Yasemin Saplakoglu
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