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27 de agosto de 2007
O fator medo: quando o cérebro decide que é hora de dar no pé
Um novo estudo revela que regiões diferentes do cérebro entram em ação dependendo do nível de ameaça
por Nikhil Swaminathan
Hora de fugir. Pesquisadores revelam que o cérebro tem duas maneiras de lidar com um estímulo que causa medo: se a ameaça está longe, ele desenvolve estratégias. Se está próxima, o cérebro se torna reativo
William James, filósofo do final do século 19 e começo do século 20, uma vez disse que as pessoas não temem um urso quando o vêem, mas quando saem correndo dele.

Cem anos depois, um novo estudo de imageamento do cérebro prova que James poderia estar certo. Usando um jogo de vídeo game similar ao Pac-Man e imagens de ressonância magnética funcional (fMRI), os cientistas demonstraram que quando um estímulo provocador de medo (como um urso, por exemplo) é detectado à distância, o cérebro humano liga um circuito que analisa o nível de ameaça e maneiras de evitar o animal ou o perigo. Se o urso se aproximar – aumentando a ameaça –, outras regiões do cérebro, mais reativas, entram em ação, desencadeando uma resposta imediata de proteção, seja lutar, fugir ou ficar paralisado.

“Essa dualidade é evolucionariamente vantajosa, já que o sistema precisa estar pronto para avaliar e tomar decisões em relação a estímulos externos e chegar à conclusão de que se trata de uma ameaça ou não,” afirma Dean Mobbs, co-autor do estudo, do University College London. “Respostas rápidas”, ele completa, “também são importantes porque para os primeiros mamíferos, que eram menores e mais fracos que os répteis, uma reação rápida na forma de uma luta, fuga ou paralisação era e ainda é crucial para a sobrevivência do animal”. Nos humanos, anormalidades nessas funções podem levar à ansiedade e transtornos de pânico.

Mobbs e seus colegas relatam na revista Science que projetaram um vídeo-game que requer que 14 indivíduos movimentem peças do jogo em uma grade virtual para evitar um predador. Para aumentar o fator medo, os jogadores capturados pelos predadores poderiam receber uma série de três choques elétricos leves, um choque elétrico leve ou nenhum tipo de punição.
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