[continuação]
Ao realizar o fMRI dos participantes, os pesquisadores descobriram que, quando o predador estava longe, aumentava a atividade nas áreas do cérebro responsáveis por um processamento mais sofisticado, como o córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC), uma seção do córtex (o principal computador do cerébro), localizado atrás das sobrancelhas. À medida que o predador se aproximava, a substância cinzenta periaquedutal (PAG, na sigla em inglês), localizada próxima ao tronco cerebral, entrava em ação; a PAG, que provoca a liberação da analgesia opióide, o analgésico interno do organismo, também está relacionada a reações instintivas como lutar ou fugir.
“Sob a ameaça de mais choques, observamos maior atividade na PAG, enquanto que a ameaça de menos choques aumentou a atividade no vmPFC”, afirma Mobbs. “Isso indica que quanto mais temido o estímulo é, mais usamos a PAG, enquanto que uma ameaça menor está sob controle do vmPFC”.
Em um editorial que acompanha o artigo, Stephen Maren, professor-associado de psicologia e neurociências na University of Michigan em Ann Arbor, escreveu que essa mudança da PAG para o vmPFC pode estar por trás de uma avaliação subjetiva de medo. “A ativação do córtex pré-frontral por ameaças distantes e imprevisíveis pode promover a ansiedade, enquanto que a ativação da PAG por ameaças próximas pode estimular o pânico”, diz. “Uma disfunção nesses circuitos, portanto, provavelmente pode dar origem a uma série de transtornos crônicos de ansiedade.”
Mobbs concorda que uma PAG superativa (e um vmPFC menos ativo) pode ter um papel em transtornos de pânico, enquanto que a relação contrária pode levar à ansiedade. “Isso poderia nos ajudar a compreender os sistemas que são anormais em pessoas com essas complicações. Este é o primeiro passo para ajudar esses pacientes,” explica. |