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Prêmio Nobel de Química 2012

Pesquisadores mostraram como funcionam canais de comunicação entre células e meio

Steve Mirsky
Wikipedia commons/blog Scientific American
Receptor beta-adrenérgico (vermelho) com proteína G acoplada, de acordo com o grupo de  Brian Kobilka`s lab (complexo verde, azul e amarelo)
O Prêmio Nobel de Química de 2012 foi concedido conjuntamente a Robert J. Lefkowitz e Brian Kobilka por estudos dos receptores acoplados à proteína G, portais por meio dos quais informações sobre o ambiente alcançam o interior das células e conduzem as suas respostas. Aproximadamente metade de todos os medicamentos funciona interagindo com os receptores acoplados à proteína G. Reproduzimos a seguir o  press release oficial do Prêmio Nobel traduzido:

10 de outubro de 2012

A Real Academia de Ciências da Suécia decidiu conceder o Prêmio Nobel de Química de 2012 a Robert J. Lefkowitz, Instituto Médico Howard Hughes e Centro Médico da Duke University, Durham, Carolina do Norte, EUA e a Brian K. Kobilka, Escola de Medicina da Stanford University, Stanford, Califórnia, EUA "por estudos dos receptores acoplados à proteína G”, receptores inteligentes em superfícies celulares.

Seu organismo é um sistema afinado de interações entre bilhões de células. Cada célula tem minúsculos receptores que lhes permitem sentir o ambiente, para que possam se adaptar a novas situações. Robert Lefkowitz e Brian Kobilka receberam o Prêmio Nobel de Química de 2012 por descobertas pioneiras que revelam o funcionamento de uma importante família desses receptores: receptores acoplados à proteína G.

Durante um longo tempo, como as células conseguiam sentir seu ambiente era um mistério. Cientistas sabiam que hormônios como a adrenalina tinham efeitos poderosos: aumentar a pressão sanguínea e fazer o coração bater mais rápido. Eles suspeitaram que superfícies celulares continham algum tipo de sensor para hormônios. Mas do que realmente eram feitos esses receptores, e como eles funcionavam, continuou obscuro durante a maior parte do século 20.

Lefkowitz começou a usar radioatividade em 1968 para rastrear os receptores celulares. Ele anexou um isótopo de iodo a vários hormônios e, graças à radiação, conseguiu revelar vários receptores, entre eles um receptor para a adrenalina: o receptor β-adrenérgico. Sua equipe de pesquisadores extraiu o receptor de seu esconderijo na membrana celular e obteve um entendimento inicial de seu funcionamento.

A equipe deu seu próximo grande passo durante os anos 1980. O recém-recrutado Kobilka aceitou o desafio de isolar, do gigantesco genoma humano, o gene que codifica para o receptor β-adrenérgico. Sua abordagem criativa permitiu que alcançasse seu objetivo. Quando os pesquisadores analisaram o gene, descobriram que o receptor era semelhante a um receptor que captura luz, localizado no olho. Eles perceberam que havia uma família inteira de receptores que se parecem e funcionam da mesma maneira.

Atualmente os membros da família são chamados de receptores acoplados à proteína G. Aproximadamente mil genes codificam esses receptores, por exemplo, para luz, sabor, odor, adrenalina, histamina, dopamina e serotonina. Cerca de metade de todos os medicamentos tem seus efeitos associados a receptores acoplados à proteína G.

Os estudos de Lefkowitz e Kobilka são cruciais para entender como funcionam os receptores acoplados à proteína G. Além disso, em 2011, Kobilka fez outra grande descoberta; ele e sua equipe de pesquisa capturaram uma imagem do receptor β-adrenérgico no momento exato em que era ativado por um hormônio e enviava um sinal para a célula. A imagem é uma obra-prima molecular – o resultado de décadas de pesquisa.

Robert J. Lefkowitz, cidadão americano. Nascido em 1943, em Nova York, NY, Estados Unidos, Doutor em Medicina em 1966 pela Colúmbia University, New York, NY, Estados Unidos. Pesquisador, Instituto Médico Howard Huhes. Professor James B. Duke de Medicina e Professor de Bioquímica, Centro Médico da Duke University, Durham, Carolina do Norte, EUA. 

Brian K. Kobilka, cidadão americano, nascido em 1955 em Little Falls, Minnesota, Estados Unidos. Doutor em Medicina em 1981 pela Escola de Medicina da Yale University, New Haven, Connecticut, Estados Unidos. Professor de Medicina e Professor de Fisiologia Molecular e Celular, Escola de Medicina da Stanford University, Stanford, Califórnia, Estados Unidos. 
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