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05 de julho de 2012
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O que significa encontrar “um Higgs”
Reunião de Prêmios Nobel de Lindau, 3º Dia
por Mariette DiChristina
[continuação]

A descoberta é o fim de uma era ou o início de uma nova?

“Ambos”, declarou Gross. Os resultados reforçam o modelo padrão, mas levantam novas perguntas. “Agora temos uma chance de investigar o que eu posso chamar de setor Higgs, um setor novo: esse é apenas o começo. O LHC é um programa para 20 anos e só registrou cerca de 2% dos eventos que serão registrados durante toda a vida do experimento”.  

“Estamos convencidos de que a física não acaba aqui”, destacou Rubbia. “Há perguntas cada vez mais difíceis”.

Vemos sinais de uma física além do modelo padrão nos resultados?

“De certa forma, sim”, respondeu Gross, que lembrou que isso já aconteceu, de fato, no anúncio de dezembro, em que os resultados excluíram uma enorme quantidade de outras energias e massas possíveis para o Higgs.

“Como experimentalista”, ressaltou Rubbia, “eu prefiro deixar a Natureza decidir”.

John Ellis, do Cern, participando por videoconferência, espera a confirmação da supersimetria, um mundo de sombras teórico de partículas elementares. “Os resultados de hoje deixam aberta a possibilidade de a supersimetria ser descoberta no LHC”, declarou ele. Na supersimetria, até cinco bósons de Higgs podem existir. “Eu acredito que o ‘vai ou racha’ da supersimetria” será quando o LHC estiver funcionando a energias mais altas após a manutenção. “Mas ainda estou ansioso, esperando a supersimetria”.

Esses resultados se aplicam à Cosmologia?

Sim, disse Smoot: “Desde que eu era um garotinho, mais ou menos da sua idade, começamos a acreditar que o Big Bang era o modelo correto. Eu achava que a física de partículas seria relevante para a cosmologia e ela é necessária para explicar [problemas como] inflação, assimetria bariônica, matéria escura e a aceleração do Universo”. O modelo padrão ajuda a realizar os cálculos necessários. “A física de partículas tem implicações diretas para o que acontece na cosmologia: não se pode separá-las. Eu sempre acreditei que essas áreas se fundiriam”.

O que os cientistas deveriam fazer após o LHC?

Gross observou que um colisor linear de elétrons e pósitrons tornaria mais fácil testar as propriedades da partícula, “mas que isso não é provável por mais 10 ou 20 anos. Talvez esse resultado dê motivação para que um desses seja construído”. De qualquer forma, “os experimentalistas, como provaram hoje, são extremamente inteligentes” encontrando sinais diminutos com os instrumentos de que dispõem.

“Depois do LHC, a descoberta de algo – é claro que eu espero que não seja O bóson de Higgs – com certeza coloca uma fábrica de Higgs na agenda”, para encontrar mais dessas partículas para análise, apontou Ellis. “Mas não devemos mexer na agenda até que tenhamos visto alguns anos de valores altos no LHC. Algo que seja uma fábrica de Higgs, mas uma que também consiga fazer outras coisas, seria interessante para mim”. 

Veremos um Prêmio Nobel por essa descoberta?

“Nós já temos um!” brincou Gross, disparando risadas de apreciação. Rubbia lembrou que alguns Nobel foram concedidos rapidamente, mas em alguns casos a premiação levou até 40 anos. “Esse é um daqueles marcos da física que merecem a maior consideração” por parte do comitê do Nobel”, adicionou.

De qualquer forma, aconselhou Gross: “Esqueçam os Prêmios Nobel. A empolgação de hoje não é em relação a prêmios, mas em relação à descoberta e à nossa compreensão do mundo real”. 

O que vocês acham sobre as pessoas chamarem o Higgs de “Partícula de Deus”?

“Esse é um termo péssimo”, lamentou Gross. “Não tem nada a ver com isso”. Rubbia adicionou que o físico Leon Lederman, que cunhou uma expressão mais longa e colorida tem “um senso de humor único” e que deveríamos usar o termo “com o mesmo tipo de senso de humor”.

Cerca de 4 mil pessoas trabalham nesses experimentos. Faz sentido gastar tanto tempo e dinheiro?

“Totalmente!” afirmou Gross. “Veja o quanto você está interessado!”. Rubbia adicionou: “Isso mostra como grandes comunidades conseguem trabalhar bem e juntas”.
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