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O sobrepeso pode oferecer mais chances de sobreviver a um AVC?

Novo estudo encontra efeitos positivos da obesidade na recuperação de um derrame

Shutterstock
Apesar do fato da obesidade aumentar tanto o risco de se ter um AVC quanto o risco de morte, um novo estudo descobriu que pessoas obesas, ou até mesmo levemente obesas, sobrevivem a derrames em uma taxa maior comparadas àquelas com um peso corporal normal.

As descobertas, que aparecem na revista Journal of the American Heart Association, somam-se ao “paradoxo da obesidade” visto em estudos anteriores, nos quais o peso corporal elevado parece ter um efeito protetor em certos grupos de pacientes.

Um AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma área do cérebro é interrompido e as células cerebrais são privadas de oxigênio e começam a morrer. Todo ano, cerca de 185 mil pessoas morrem em decorrência de um derrame, a quinta maior causa de morte nos Estados Unidos e a principal causa de deficiência em adultos.

Um grupo de participantes do Estudo de Coração de Framingham (FHS, na sigla em inglês) foi submetido a acompanhamento médico, incluindo a medição do seu índice de massa corporal (IMC) antes se seu derrame. Então, os pesquisadores combinaram esses casos de AVC com as informações de outros participantes do FHS com idade, sexo e categoria de IMC (peso normal, sobrepeso e obeso) similares, para ver se o sobrepeso e a obesidade tinham algum efeito na sobrevivência acima de dez anos, comparando-se com pessoas com peso normal. “Descobrimos que os participantes que possuíam sobrepeso ou eram levemente obesos possuíam uma sobrevivência melhor do que aqueles com peso normal - e o benefício eram mais forte em homens e naqueles com menos de 70 anos”, explicou o autor correspondente Hugo J. Aparicio, professor assistente de neurologia na Escola de Medicina da Universidade de Boston e pesquisador do FHS.

De acordo com o pesquisador, enquanto o estudo controlava fatores como tabagismo, câncer, demência e “fatores de risco vascular” como pressão sanguínea alta, diabetes e colesterol, talvez ainda haja aspectos não saudáveis associados com o peso normal, como fraqueza relativa, diferenças na ingestão de nutrientes ou condições não identificadas, que poderiam levar a uma pior mortalidade.

Os pesquisadores alertam que esses resultados não sugerem que a obesidade seja fator de proteção para a população em geral. Eles enfatizam que podem existir mecanismos pelos quais o peso elevado possa ajudar na sobrevivência após um AVC, seja por proporcionar uma “reserva metabólica” extra após uma doença severa ou por outras influências como uso de medicação, impossibilidade de fumar ou algum aspecto de sua dieta. “Contudo, observar esse ‘paradoxo da obesidade’ tem implicações clínicas importantes e é essencial que clínicos e pesquisadores entendam melhor o papel do peso corporal na recuperação após um derrame para que possam fazem recomendações apropriadas de perda de peso ou de manutenção do peso”, disse Aparicio.

Centro Médico da Universidade de Boston
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