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Obama quer um milhão de mentores para futuros cientistas

Plano foi anunciado durante feira de ciências que incluiu projetos de exame de câncer até purificador de água movido a bicicleta

White House Blog/Becky Fried
O presidente Obama no sistema de filtragem de água movido à bicicleta durante a feira de ciências da Casa Branca.
Por Pat Wingert

WASHINGTON – Com a terceira Feira de Ciências Anual da Casa Branca como pano de fundo, o presidente Barack Obama anuncinou, na segunda-feira, planos de recrutar um milhão de novos mentores de ciência, tecnologia, engenharia e matemátia dos setores público e privado para inspirar muitos outros estudantes a perseguir educações e carreiras avançadas nessas áreas.

O presidente declarou estar usando uma “abordagem ‘todos a bordo’” para a educação STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemátia, em inglês), e explicou que além de recrutar um “exército de novos professores nessas áreas”, o país precisa “dar a milhões de americanos que trabalham em ciência e tecnologia não apenas o tipo de respeito que eles precisam, mas também novas maneiras de engajar jovens”.

A administração espera tornar a nova iniciativa de mentores, parte da campanha Educar para Inovar da Casa Branca, tão comum entre profissões STEM quanto o trabalho pro bono em firmas legais.

Dez ONGs educacionais e grandes empresas de tecnologia, incluindo SanDisk, Cognizant e Cisco Systems, assumiram o compromisso de se tornarem os membros fundadores de um esforço de mentores chamado de US2020, que pretende fazer com que 20% da força de trabalho de cada empresa se comprometa a 20 horas anuais de trabalho voluntário até 2020. As 10 empresas fundadoras também prometeram fornecer mais de US$2 milhões em capital privado para financiar o lançamento do programa.

 Antes de anunciar as novas iniciativas, Obama foi de cabine em cabine da feira de ciências, que aconteceu não apenas dentro da Casa Branca, mas também no ensolarado mas ventoso Jardim Jacqueline Kennedy, na Ala Sul. Entre as apresentações dos estudantes estavam os inovadores trabalhos de aproximadamente 100 vencedores de competições nacionais de ciência, tecnologia, engenharia e matemática de todo o país. Muitos dos projetos foram completados com a ajuda de mentores e programas extra-curriculares oferecidos por escolas.

Estudantes, que tinham entre oito e 19 anos de idade, exibiram projetos que incluíam o método custo-eficaz de transformar algas em biocombustível da vencedora do Intel Science Talent Search Sara Volz, 17, de Colorado Springs, no Colorado, além do exame de câncer pancreático de Jack Andraka, de 16 anos, que o menino desenvolveu após identificar uma proteína-chave, a mesotelina, produzida por tumores pancreáticos. A descoberta valeu a Andraka, de Crowmsville, Maryland, o primeiro lugar na Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel, em 2012.

Durante seu discurso, Obama mencionou que Andraka pediu repetidamente a laboratórios de pesquisa que lhe dessem espaço para perseguir seus experimentos, mas foi recusado quase 200 vezes. “Finalmente, com a ajuda de algumas pessoas da Johns Hopkins, ele conseguiu as instalações de pesquisa de que precisava, e desenvolveu um exame de câncer de pâncreas que é mais rápido, mais barato e mais sensível que o teste anterior – nada mal para um cara que nem tem idade para dirigir”. 

Apontando que segunda-feira também foi o 43º Dia da Terra, Obama deu “um alô especial para todos os jovens... que concentraram sua atenção em coletar formas mais limpas de energia e criar mais eficiência energética”. Essas invenções incluíam uma turbina de vento pequena o suficiente para ser montada em um telhado, um sistema de descontaminação de água movido a bicicleta, capaz de filtrar Escherichia coli e outros patógenos perigosos de água contaminada, e uma acessível prensa capaz de transformar restos de biomassa (como cascas de banana e de amendoim) em combustível comprimido para combater o desmatamento – esse último, vencedor do Desafio Mundial ‘We Can Change the World’, da Siemens.

 

Kiona Ellite, 18, de Oakland Park, na Flórida, declarou que a inspiração para o projeto da bicicleta veio de um colega de escola que lhes contou sobre a crise de contaminação de água que ele viu como voluntário no Haiti após o terremoto de 2010. “Nós vivemos na Flórida, e temos furacões por lá o tempo todo”, contou Elliot. Como grandes tempestades são frequentemente acompanhadas por falta de energia, eles decidiram que seu sistema deveria ser alimentado manualmente.

Obama pareceu particularmente encantado com os “COOL Pads” projetados pelos três participantes mais jovens do evento, que foram vencedores regionais da competição ExploraVision, da Toshiba e da Associação Nacional de Professores de Ciência dos Estados Unidos. A proposta vencedora dos meninos usava sensores de temperatura instalados nos corpos de jogadores de futebol americano que detectavam o superaquecimento e respondiam ativando pacotes de gelo nos “COOL Pads” abaixo das ombreiras para evitar insolação.

O protótipo, projetado pelos irmãos Evan e Alec Jackson, de 10 e 8 anos respectivamente, e seu amigo Caleb Robinson, de oito anos, todos de McDonough, na Geórgia, também incluíam uma bolsa portátil de Gatorade e um canudo extra-longo para que jogadores pudessem se hidratar sem deixar o campo. “Eles podem usar qualquer sabor, e não têm que ir para as laterais para tomar Gatorade”, explica Evan Jackson. “Isso também seria bom para bombeiros, jogadores de hóquei, pilotos da NASCAR e militares”. Os meninos admitiram que ainda não têm o know-how tecnológico para produzir uma versão funcional de sua proposta – eles ainda estão na terceira e quarta séries – mas felizmente, com essa idade, tudo que eles precisavam era uma ideia muito boa e um protótipo para vencer a competição. “Esperamos construí-lo em 20 anos”, conta Robinson. 

Durante seus comentários na Sala Leste naquela tarde, Obama fez questão de mencionar os COOL Pads para Victor Cruz, que joga no New York Giants e estava na audiência como convidado, adicionando: “Isso pode funcionar”.

De acordo com Obama, o mais importante é que essas crianças estão empolgadas com a ciência, e agora o desafio é direcionar esse interesse. “Pensem nisso”, propôs ele. “Se você já inventa coisas na terceira série, o que terá feito quando chegar à faculdade”?

Obama adicionou que seu objetivo é “atingir um nível de pesquisa e desenvolvimento que não vemos desde o auge da corrida espacial”. Nesse meio tempo, de acordo com ele, a feira de ciências é um lembrete de que o país precisa celebrar “as incríveis contribuições que cientistas, engenheiros e matemáticos estão nos dando todos os dias. E nós queremos que você saiba que tem um país inteiro te apoiando enquanto você persegue seus sonhos. E seu sucesso também será o nosso sucesso”.