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ONU deve ter plano de defesa contra asteroides

Associação de Exploradores Espaciais propõe que a Organização formule medidas para proteger a Terra

Nasa
Por Clara Moskowitz

Quando um meteoro explodiu sobre Chelyabinsk, na Rússia, em fevereiro, as agências espaciais do mundo todo ficaram sabendo disso junto com o resto de nós, pelo Twitter e pelo YouTube. Isso, de acordo com o ex-astronauta Ed Lu, é inaceitável – e as Nações Unidas concordam. Na semana passada, a Assembleia Geral aprovou um conjunto de medidas que Lu e outros astronautas recomendaram para proteger o planeta dos perigos de asteroides invisíveis.

A ONU planeja preparar um “Grupo Internacional de Alerta de Asteroides” para que nações compartilhem informações sobre rochas espaciais potencialmente perigosas. Se astrônomos detectarem um asteroide que oferece uma ameaça à Terra, o Comitê sobre os Usos Pacíficos do Espaço Exterior da ONU ajudará a coordenar uma missão para lançar um veículo espacial para se chocar contra o objeto e desviá-lo de seu curso de colisão.

Lu e outros membros da Associação de Exploradores Espaciais (ASE) recomendaram essas medidas à ONU como um primeiro passo para abordar o problema, há muito negligenciado, das rochas espaciais errantes. “Atualmente, nenhum governo do mundo atribuiu explicitamente a responsabilidade da proteção planetária a nenhuma de suas agências”, declarou na sexta-feira no Museu Americano de História Natural, Rusty Schweickart, membro da ASE, que participou da missão Apollo 9 em 1969. “A Nasa não tem uma responsabilidade explícita de desviar um asteroide, e nem qualquer outra agência espacial”. A ASE defende que cada nação delegue a responsabilidade para lidar com um possível impacto de asteroides a uma agência interna – antes que o evento ocorra.

O próximo passo para defender a Terra contra asteroides perigosos é encontrá-los, observa Lu. “Há 100 vezes mais asteroides lá fora do que os que já encontramos. Existe cerca de um milhão de asteroides grandes o bastante para destruir a cidade de Nova York, e asteroides ainda maiores. Nosso desafio é encontrar esses asteroides antes que eles nos encontrem”. 

Alertas antecipados são importantes porque aumentam a chance de sermos capazes de desviar um asteroide ameaçador quando ele for encontrado. Se um veículo espacial se chocasse contra um asteroide cinco ou 10 anos antes de a rocha se chocar com a Terra, uma leve alteração orbital poderia ser suficiente para fazê-lo desviar de nosso planeta; se o asteroide não for detectado a tempo, evacuar a zona de impacto pode ser a única opção disponível. “Se nós não o encontrarmos faltando um ano para o impacto, faça um belo drinque, saia de casa e fique assistindo”, brincou Schweickart.

A Fundação B612, uma organização sem fins lucrativos que Lu fundou para abordar o problema de impactos de asteroides, está desenvolvendo um telescópio espacial infravermelho com financiamento particular, chamado Sentinel, que deve ser lançado em 2017. O telescópio começaria uma busca sistemática de objetos nas proximidades da Terra.

Os astronautas da ASE também estão pedindo para que as Nações Unidas coordenem uma missão prática de desvio de asteroides para testar as tecnologias para tirar uma rocha de curso se a necessidade aparecer. O meteoro de Chelyabinsk, que feriu mil pessoas mas não matou nenhuma, foi um alerta claro, como declarou o astrônomo do Museu Americano de História Natural, Neil deGrasse Tyson, que conduziu o evento de sexta-feira – agora é hora de os cidadãos da Terra entrarem em ação. Lu concorda: “[O asteroide de] Chelyabinsk foi azar”, declarou ele. “Se formos atingidos de novo daqui a 20 anos, não será azar – será estupidez”.

sciam29out2013