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Painel solar da China ameaça indústria da europeia

O país exportou mais de 21 bilhões de euros em paineis para a União Europeia em 2011

Por Robin Emmott e Francesco Guarascio

 BRUXELAS (Reuters) - O chefe de comércio da União Europeia recomendará a instauração de taxas punitivas de importação sobre bilhões de euros em paineis solares chineses, declaram pessoas próximas ao assunto, em uma jogada protecionista que pode irritar Pequim.

O caso, o maior que a Comissão já lançou, é delicado para Bruxelas. A Europa quer proteger seus produtores, como a alemã SolarWorld, de importações baratas, mas também precisa da China, seu segundo maior parceiro comercial, para ajudar o bloco a sair da recessão.

Espera-se que o Comissário do Comércio, Karel De Gucht, diga a seus companheiros comissários da União Europeia que Bruxelas deve cobrar as tarifas para se proteger contra a produção chinesa que quadruplicou entre 2009 e 2011 e superou a demanda global.

Produtores da União Europeia declaram que empresas chinesas capturaram mais de 80% do mercado Europeu a partir de quase zero há alguns anos, fazendo a Comissão Europeia agir contra o que chama de dumping. A Europa foi responsável por aproximadamente metade do mercado solar global no ano passado, que avaliasdo em US$77 bilhões, de acordo com a firma de pesquisa IHS.

“De Gucht está pronto para avançar”, declarou uma pessoa próxima das tomadas de decisão. “A Comissão tem um caso muito sólido”.

A Comissão iniciou uma investigação em setembro quando julgou que havia fundamentos para aceitar uma reclamação feita por um grupo composto principalmente por empresas alemães e italianas. Eles acusam a China de subsidiar seus produtores com crédito fácil para elevar a produção a mais de 20 vezes o nível do consumo chinês. 

De Gucht agora acredita que existem evidências claras de dumping no mercado da União Europeia, e após a reunião de quarta-feira em Bruxelas, irão propôr as medidas durante uma assembleia de especialistas em comércio de todos os países da União. Espera-se que os especialistas apoiem os governos, declaram diplomatas, permitindo que as taxas provisórias entrem em vigor até 6 de junho, o pazo para uma decisão sob as regras da União Europeia.

A medida de instaurar taxas, porém, ainda deixaria a porta aberta para uma solução negociada com Pequim antes de dezembro e evitaria taxas que pudessem ser impostas durante até cinco anos.

Os Estados Unidos instauraram suas próprias taxas sobre produtos chineses de energia solar no ano passado, argumentando que a rápida expansão da China na indústria criou uma superoferta massiva.

Alemanha, Estados Unidos e China são os maiores mercados solares do mundo, e empresas estão em uma corrida para ganhar contratos conforme países procuram limitar a poluição e o aquecimento global.

As taxas europeias iniciais sobre paineis solares chineses provavelmente serão fixadas em 30% ou mais, o que tornaria as exportações chinesas muito menos atraentes na Europa, declarou uma pessoa envolvida.

De acordo com executivos da indústria, preços de paineis produzidos na China são até 45% mais baixos que os produzidos na Europa

A Comissão Europeia recusou-se a comentar.

APOIO ALEMÃO

A China, que mal tinha qualquer capacidade de produção solar há uma década, exportou mais de 21 bilhões de euros em paineis para a União Europeia em 2011.

A SolarWorld, que já o maior grupo de energia solar da Alemanha, em parte culpa a supercacidade chinesa por seus problemas, incluindo 900 milhões de euros (US$1,2 bilhão) em passivos, enquanto sua rival Q-Cells pediu a falência no ano passado. As ações da SolarWorld subiram 3,33%.

“A Alemanha colocou todo o seu peso para apoiar esse caso”, declarou outra pessoa. “A Aleamanha normalmente não faz isso em medidas de defesa comercial, mas essa é uma indústria importante sob ataque”. O país é o maior exportador europeu para a China, e a chanceler Angela Merkel já fez inúmeras viagens a Pequim, no ano passado assumindo um tom conciliatório ao declarar que a Europa não tem interesse em iniciar uma guerra por paineis solares.

O presidente francês, François Hollande, também visitou Pequim no mês passado para tentar aumentar as exportações da França.

A posição da Europa sobre energia solar é complicada pelo fato de que alguns no setor solar da União Europeia, notavelmente importadores e instaladores, apoiam importações baratas de paineis da China.

Eles argumentam que tarifas europeias seriam prejudiciais aos esforços de desenvolver energia limpa. Alguns temem retaliações de Pequim.

Em abril, grupos comerciais representando usuários de paineis solares em seis estados membros da União Europeia enviaram uma carta aberta a De Gucht insistindo que ele não buscasse as tarifas, afirmando que o prospecto de tarifas sobre paineis solares chineses já havia resultado no cancelamento de pedidos.

Mas produtores europeus de uma variedade de setores querem proteção contra importações chinesas, e a Comissão Europeia, que lida com problemas comerciais para os 27 membros da União, está investigando 30 casos de dumping e subsídios, 19 deles envolvendo a China.

(Reportagem adicional de Philip Blenkinsop e Ethan Bilby, edição de William Hardy e Janet Mcbride)