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Países em desenvolvimento mantêm o abismo digital

Ranking mostra o potencial da tecnologia da informação para promover crescimento econômico e bem-estar 

Fórum Econômimco Mundial
 Os 10 primeiros colocados no relatório de 2014, e sua evolução desde 2013.
Por Geoffrey Giller

Os Estados Unidos não sãoprimeiro país do mundo, pelo menos quando o assunto é tecnologia da comunicação e da informação. No mês passado, o Fórum Econômico Mundial publicou seu 13º Relatório Global de Tecnologia da Informação, que classifica as nações do mundo por sua “prontidão de rede” [network readiness] – ou seja, com que facilidade cada um desses países pode usar a Internet, smartphones e a infraestrutura de comunicações para promover o crescimento econômico e o bem-estar de seus cidadãos.

Os Estados Unidos ficaram em sétimo lugar, entre 148 países. Finlândia, Cingapura e Suécia ganharam ouro, prata e bronze, assim como no ano passado, seguidos por Holanda, Noruega e Suíça; Hong Kong, o Reino Unido e a Coreia do Sul completaram os 10 primeiros colocados.

Para classificar cada nação, uma equipe de especialistas em economia e negócios observou 54 indicadores diferentes. Esses indicadores incluíam medidas quantitativas, como a porcentagem de usuários de Internet ou o número médio de dias necessários para iniciar um negócio; e também critérios qualitativos, como a qualidade da educação matemática e científica em cada país. 

Durante uma conferência de imprensa, Beñat Bilbao-Osorio, um dos editores do relatório e economista do Fórum Econômico Mundial, destacou a distância entre países tecnologicamente avançados e nações em desenvolvimento. “Esse abismo digital ainda persiste entre economias desenvolvidas e economias em desenvolvimento”, aponta ele.

Essa distância, de acordo com o economista, não apresenta sinais de diminuir; ainda que todos os países tenham mostrado melhoras, poucos países em desenvolvimento estão crescendo rápido o bastante para alcançar os líderes. Soumitra Dutta, outro editor do relatório e reitor da Escola Johnson de Administração, na Cornell University, declara que isso é uma questão de impulso. “Não é apenas a tecnologia; é todo o conjunto combinado de conhecimento e maturidade econômica ”, explica ele.

Bilbao-Osorio e Dutta declaram esperar que o relatório ajude países a identificar os elementos que estão provocando seu atraso. “Países têm que fazer escolhas”, lembra Dutta. Ele aponta que a Coreia do Sul costumava ficar por volta da trigésima posição, e agora está entre os 10 melhores. “A Coreia se concentrou em tecnologia nos últimos 20 anos”, observa ele. 

Alguns países maiores e mais desenvolvidos também ficaram em posições abaixo do esperado, como a China (62º) e o México (79º).

Dutta aponta que fazer mudanças para aumentar a prontidão online é especialmente difícil para países com economias maiores. “Mas é possível”, declara ele. E existem exemplos de países que já fizeram essas mudanças, com a Espanha, que ficou em 38º em 2013 e atualmente está em 34º, apesar de seus infortúnios econômicos. “O segredo nesse caso é que a Espanha fez investimentos significativos nessa área, mesmo em tempos difíceis”, explicou Jeffrey Campbell, diretor sênior da Cisco que também participou da conferência de imprensa.