Pesquisadores acreditam que, estimulando o sistema imunológico, células tumorais poderão ser destruídas – mas, a julgar por estudos realizados essa ainda pode ser uma expectativa distante. Testes clínicos aplicados em estudos de várias vacinas contra o câncer têm falhado com relativa freqüência. Um estudo com a vacina contra melanoma, chamada Canvaxin, não aumentou a sobrevida de pacientes. Mas em vez de desqualificar a imunoterapia contra o câncer alguns pesquisadores argumentam que os dados foram avaliados inadequadamente o que pode ter levado a conclusões incorretas. Com o devido planejamento, os pesquisadores acreditam que as vacinas contra o câncer podem ser promissoras.
Esse otimismo surge de dados que vieram a publico como resultados de testes fracassados. Após a fase III de testes relatados em 2006 sobre a vacina (Provange) para o câncer de próstata, produzida pela Dendreon em Seattle ─ com resultados frustrantes ─, análises revelaram que homens com câncer de próstata espalhado tiveram sobrevida média de 4,5 meses a mais que os que receberam placebo. Pacientes que tomaram a vacina e continuaram a fazer quimioterapia tiveram uma sobrevida ainda maior: uma média de 34,5 meses, contra 25,4 meses dos pacientes que ingeriram placebo seguido de quimioterapia.
Em testes clínicos padrão os critérios usados para confirmar os benefícios não se aplicam às vacinas, observa Jeffrey Schlom, chefe do Laboratório de Biologia e Imunologia do Tumor do National Cancer Institute. Ele explica que, diferentemente das drogas tradicionais, as vacinas não levam à regressão de tumores. Desse modo, a resposta baseada nesses critérios se mostra pouco eficaz, como sugerem várias pesquisas. “O que estamos percebendo é há um aumento na sobrevida do paciente, mas não a diminuição do tumor,” avalia Schlom.
Ele ressalta ainda que drogas experimentais anticâncer são testadas com freqüência em pacientes previamente tratados com outras drogas que danificam o sistema imunológico. Essa situação não afeta a eficiência de outros tratamentos, mas atinge diretamente a potencialidade da vacina em produzir uma resposta imunológica. Além disso, o fato de as vacinas funcionarem melhor com doses de reforço retarda o efeito esperado. |