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Pesquisa comprova lenta evolução do câncer de pâncreas

Doença se desenvolve durante anos antes de se espalhar no corpo todo

Katherine Harmon
Wikimedia Commons
Células tumorais no pâncreas, marcadas em vermelho: chance de diagnóstico precoce
O câncer de pâncreas é normalmente letal, matando cerca de 95% dos pacientes cinco anos após o diagnóstico. O ator Patrick Swayze faleceu há menos de dois anos depois de ter sido diagnosticado com a doença. Dois novos estudos examinam a história genética do câncer de pâncreas, e uma prova de que os relatórios de sua evolução no corpo podem ser um processo demorado, o que renova a esperança para o diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes.

Enquanto alguns cientistas têm usado o sequenciamento genético de arquivos para estudar a história evolucionária humana, outros utilizam a tecnologia para traçar o desenvolvimento e movimentação das células cancerígenas no corpo. Uma equipe de pesquisadores, liderada por Shinichi Yachida, do Pancreatic Cancer Research Center na Johns Hopkins University, foi capaz de capturar as células cancerígenas do tecido de várias partes do corpo em sete pacientes com câncer de pâncreas e logo após a sua morte sequenciar seus DNAs.

Avaliando as mutações genéticas e a acumulação ao longo do tempo em vários tecidos do corpo, os pesquisadores estimaram que cerca de sete anos após a mutação iniciar para formar um considerável tumor, demoraria pelo menos dez anos para que a doença começasse a se espalhar para outras partes do corpo.

"Pela primeira vez, temos uma estimativa quantificável do desenvolvimento do câncer de pâncreas e quando seria melhor intervir", segundo Christine Iacobuzio-Donahue, também do centro de estudos da Universidade.

Essa evolução lenta se encaixa bem com os estudos de base populacional que analisaram as taxas de mutação e propagação da doença. Em um desses estudos, foi estimado que o câncer pode levar várias décadas para passar de uma mutação original causadora de tumor para uma fase posterior mais provável para o diagnóstico clínico.

O segundo grupo de pesquisadores também usou o sequenciamento genético para detectar mudanças em particular do genoma do câncer de pâncreas. Sua equipe, liderada por Peter Campbell, do Instituto Wellcome Trust Sanger, no Reino Unido, descobriu que a doença é geneticamente instável, acumulando muitos rearranjos cromossômicos à medida que progride, tanto no tumor primário, quanto em outros locais ao redor do corpo. Ambos os estudos foram publicados no dia 28 de outubro da revista Nature.