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Pesquisa: mistura de urina humana e cinzas produz excelente fertilizante

Pelo menos é o que garantem cientistas finlandeses, que testaram a fórmula com tomates

John Matson
©iStockphoto/Funwithfood
Produção de tomates quadruplicou com uso de fertilizantes à base de urina
Atenção, jardineiros, tomem nota: o segredo para cultivar tomates saudáveis é incrivelmente simples. Não é necessário procurar além da churrasqueira e, bem, da sua bexiga.

De acordo com um estudo de cientistas ambientais da Universidade de Kuopio, na Finlândia, urina humana e cinza de madeira produzem um potente fertilizante para tomates, aumentando extraordinariamente o crescimento da planta e a produção de frutos em comparação a plantas não tratadas, quase em equivalência com fertilizantes convencionais. A pesquisa foi divulgada pelo Journal of Agricultural and Food Chemistry.

A ideia não é completamente sem sentido – urina e cinzas individualmente são úteis para ajudar o crescimento de plantas e seus aspectos benéficos parecem complementares na teoria. Um fertilizante nitrogenado bastante utilizado chamado ureia é predominante na urina, e a cinza de madeira (o grupo finlandês utilizou bétula) é rica em nutrientes como potássio e cálcio, que faltam na urina.

Em estufa o uso somente da urina produziu mais que a mistura de urina e cinzas, mas, na verdade, nenhum tratamento produziu tanto quanto com o fertilizante mineral dos pesquisadores. No entanto ambos os fertilizantes à base de urina praticamente quadruplicaram a produção de frutos quando comparados com a produção de plantas de controle não fertilizadas. Os pesquisadores estimam que o produto da micção de um único indivíduo poderia fertilizar 6.300 tomateiros por ano, produzindo mais de duas toneladas de frutos.

A adição de cinzas realmente confere alguns benefícios – essas plantas eram maiores e produziram frutos com conteúdos significantemente mais altos de magnésio e potássio. Um grupo de 20 provadores avaliou igualmente o sabor de todos os métodos de crescimento.

No entanto, certamente permanecem algumas ressalvas. A urina no estudo finlandês foi armazenada sob refrigeração por seis meses antes da utilização, e não está claro que efeitos isso pode ter causado em suas propriedades fertilizantes. Além disso, sendo as plantas altamente avessas ao sal, parece razoável pensar que a salinidade da urina deve ser nociva em altas doses.

Há ainda o inevitável fator asqueroso: os pesquisadores advertem que embora a urina seja normalmente isenta de microorganismos perigosos encontrados na matéria fecal, deve-se tomar cuidado para evitar o contato direto entre o fertilizante à base de urina e as próprias plantas para evitar contaminação.