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29 de setembro de 2009
Pesquisas revelam canibalismo de Andrômeda
Restos de galáxias anãs devoradas circundam a galáxia irmã da Via Láctea
por John Matson
Bill Schoening, Vanessa Harvey/REU program/NOAO/AURA/NSF
Nossa vizinha, a galáxia de Andrômeda, que algum dia deverá colidir com a Via Láctea, parece ter um longa história como devoradora de companheiras menores.
Um levantamento extremamente detalhado de Andrômeda ─ que como galáxia espiral mais próxima é uma boa aproximação de nossa própria galáxia ─ mostra reminiscências de galáxias menores que nossa vizinha parece ter canibalizado.

O Levantamento Arqueológico Pan-Andrômeda ainda não está completo, mas já produz resultados científicos como os publicados na semana passada na Nature. A observação de Andrômeda em alta resolução fornece mais uma confirmação para a teoria mais aceita do crescimento galáctico: galáxias gigantes se alimentam de companheiras menores para atingir as dimensões que exibem atualmente.

A investigação, baseada em observações feitas pelo telescópio do consórcio Canadá-França-Havaí, no pico do Mauna Kea, no Havaí, é liderada pelo astrofísico Alan McConnachie, pesquisador associado do Instituto de Astrofisica Herzberg, do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, em Vitória, Columbia Britânica.

Os astrônomos adoram estudar Andrômeda, em parte, por causa da sua proximidade ─ a 2,5 milhões de anos-luz de distância, está suficientemente perto de nós para que suas estrelas possam ser observadas individualmente. E Andrômeda pode ser observada na sua totalidade, o que não acontece com a Via Láctea, onde estamos profundamente mergulhados. “É muito mais difícil tentar descobrir como é uma cidade, se você estiver dentro dela”, comenta McConnachie. Além disso, acrescenta, comparada a outras galáxias do Universo, Andrômeda parece se uma espiral típica. Assim, desvendar a história de sua formação pode ajudar os astrônomos a entender como funcionam os processos galácticos gerais.

A teoria cosmológica dominante defende que as galáxias crescem por processos de acreção ─ canibalizando galáxias menores e incorporando suas massas em uma aglutinação sempre crescente. De acordo com observações semelhantes da Via Láctea, o levantamento de Andrômeda encontrou um tipo de registro arqueológico desse processo: remanescentes fossilizados de galáxias devoradas.

“Essa é nossa ideia de como as galáxias se formam, e como isso se relaciona com a fusão de galáxias menores”, observa McConnachie. “E, se isso de fato ocorrer, então, se olharmos para uma vasta área em torno de uma galáxia, poderemos ver os remanescentes do seu processo de formação.” Esses resquícios, que McConnachie chama de “restos semidigeridos de galáxias anãs”, assumem a forma de longos filamentos difusos de estrelas ─ antigos agrupamentos galácticos que foram esgarçados pela forte atração gravitacional da galáxia.

O levantamento de Andrômeda revela que vários desses remanescentes, exatamente da forma prevista pela teoria da acreção. “Quando vejo isso, fico realmente muito feliz”, revela James Bullock, cosmólogo da University of California, em Irvine, que investigou a estrutura e aparência de resíduos da formação galáctica. “Esperávamos exatamente isso ─ cadeias de estrelas; evidência clara de que todos esses eventos de acreção realmente existiram”.

Bullock destaca não ser a primeira vez que encontram evidências ─ na verdade, alguns dos coautores de McConnachie publicaram evidências de canibalismo galáctico em Andrômeda, em 2001. Mas cada vez que observamos a galáxia com mais detalhes, encontramos exemplos mais convincentes. “Você nunca está suficientemente convencido de sua teoria até ela ser confirmada pela observação”, declara Bullock. “Por isso, não é nada monótono; ao contrário é muito estimulante.”

A nova investigação também indica que Andrômeda continua crescendo rapidamente, em escala massiva. O cenário revela uma possível interação passada entre a galáxia e uma vizinha menor, Triângulo, de acordo com um apêndice estelar recentemente descoberto, que se estende na direção de Andrômeda. Essa característica, baseada em simulações feitas pelo grupo, pode ser explicada por uma aproximação entre as duas galáxias alguns bilhões de anos atrás, que rasgaram um pedaço do Triangulo.

“Na verdade, é como se ele estivesse sendo destruído por Andrômeda”, comenta McConnachie, o que seria surpresa dada a distância que separa as duas galáxias. Se essa afirmação estiver correta, então dentro de alguns bilhões de anos ─ na mesma época em que Andrômeda e a Via Láctea deverão colidir ─ Andrômeda terá absorvido totalmente o Triângulo, dando origem a uma supergaláxia.
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