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Plano climático de Obama limita emissões de usinas elétricas e caminhões pesados

Novas regras da EPA visarão usinas a carvão em 2015 e caminhões em 2018

Por Evan Lehmann, Christa Marshall e ClimateWire

Oficiais da Casa Branca confirmaram ontem que usinas elétricas existentes terão que reduzir suas emissões de dióxido de carbono diante de um plano anunciado na tarde de 25 de junho pelo presidente Obama naquela que é a maior e mais abrangente iniciativa dos Estados Unidos para lidar com a causa e os efeitos da mudança climática.

Obama assinará um memorando presidencial pedindo que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos proponha regras até junho do ano que vem limitando a liberação de gases de efeito estufa em centenas de usinas alimentadas por carvão, declararam autoridades da administração em coletiva de imprensa no dia 24 de junho. A decisão seria completada um ano depois, no verão boreal de 2015, durante o início das campanhas presidenciais de 2016.

“Vemos uma oportunidade real de reduzir a poluição por gás carbônico”, declarou um dos oficiais da Casa Branca. “E eu acredito que um dos pontos mais importantes e relevantes é que hoje nós já determinamos limites para o arsênico, o mercúrio e o chumbo, mas deixamos usinas elétricas liberarem quanto carbono quiserem”.

A diretriz de Obama também exige que a EPA publique uma proposta atualizada para padrões emissão de carbono em novas usinas elétricas até 20 de setembro, marcando um novo atraso para uma decisão que foi proposta em março de 2012. As autoridades não informaram quando a decisão seria completada, mas que ela proibirá a construção de grandes usinas a carvão que não capturem suas emissões de CO2. O padrão consegue isso ao exigir que novas usinas liberem não mais de 450kg de carbono por megawatt-hora, uma taxa inatingível para usinas de carvão tradicionais.  

O plano do presidente, anunciado na Georgetown University, atende as expectativas de analistas e ambientalistas que acreditam que os Estados Unidos precisam de uma estratégia ampla para atingir seus objetivos de reduzir emissões de carbono em 17% até 2020. Em seu discurso, espera-se que Obama enfatize o que os documentos da Casa Branca chamaram de “obrigação moral” que essa geração tem de proteger as gerações futuras dos impactos mais ameaçadores da mudança climática.

“Nós podemos proteger a saúde de nossos filhos e deixar um ambiente mais limpo e estável para gerações futuras”, como resumiu um dos documentos.

Ainda não se sabe se essa abordagem conseguirá despolitizar algo que se tornou um problema polarizado, mas ela parece satisfazer alguns ambientalistas.

“Nós consideramos essa medida como um potencial divisor de águas”, comentou Andrew Steer, presidente do Instituto de Recursos Mundiais (WRI), sobre o plano. De acordo com ele, sem essa mudança, os Estados Unidos provavelmente falhariam em atingir suas metas de emissão em 2020.

Kevin Kennedy, que dirige a iniciativa climática dos Estados Unidos no WRI, declarou que não é suficiente limitar as emissões de usinas energéticas, que contribuem com mais de um terço dos gases estufa dos Estados Unidos. De acordo com ele, para atingir a redução de 17% também são necessários cortes na emissão de hidrofluorocarbonetos e metano, melhor eficiência energética e crescimento da participação de energia renovável.

“Os Estados Unidos precisam agir em toda a economia”, conclui Kennedy.

Olhando adiante ao construir infraestrutura

O plano de Obama pede ação para reduzir o carbono no setor de transportes, aumentar a produção de energia renovável e estabelecer padrões para proteger a infraestrura de danos provocados por enchentes e outros desastres, de acordo com um esboço de 21 páginas do plano.

O presidente pedirá que o Departamento do Interior emita permissões para projetos de energia renovável que cheguem a 10 gigawatts de eletricidade até 2020. 

“Isso é energia suficiente para mais de seis milhões de lares”, declarou um dos oficiais da administração.

O plano também pede um segundo conjunto de padrões de carbono e de economia de combustível para caminhões pesados, ônibus e vans. Ele estende uma decisão de 2011 exigindo veículos utilitários mais eficientes para os modelos de 2014 até 2018.

O plano também aborda os hidrofluorocarbonetos, ou HFCs, que são produtos químicos usados em sistemas de ar-condicionado de veículos, surgerindo que a EPA identifique alternativas “climaticamente conscientes”, de acordo com o plano. Em relação ao metano, o plano pede uma “estratégia inter-agências” para identificar maneiras de reduzir seu vazamento.

O governo federal teria que tomar várias medidas para reduzir suas próprias emissões. O plano pede para agências federais obterem 20% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2020, mais que dobrando a meta atual de 7,5%. Isso também fortalecerá esforços existentes para promover a eficiência energética, incluindo o estabelecimento de um contrato padronizado para financiar projetos federais de eficiência.

Em relação à adaptação, o plano pede que agências “apoiem investimentos mais inteligentes e duradouros” nos transportes, na administração de água e em projetos de auxílio a desastres. De acordo com o plano: “Agências também receberão instruções para garantir que considerações de controle de riscos climáticos sejam completamente integradas à infraestrutura federal e ao planejamento de administração de recursos”.

O plano também tornará até US$8 bilhões disponíveis em empréstimos para vários projetos de energia fóssil e de eficiência energética, para apoiar o “investimento e aplicação de tecnologias avançadas de energia fóssil”. Isso provavelmente inclui garantias adicionais de empréstimos para captura e sequestro de carbono, uma tecnologia que visa o sequestro em massa de dióxido de carbono para usinas elétricas e armazenagem de gases que aprisionam calor no subsolo.

Capturando carbono em quatro usinas

A Casa Branca declarou que o Departamento de Energia planejou publicar uma solicitação final sob a Seção 1703 do programa de garantia de empréstimo no outono boreal. John Thompson, analista da Força Tarefa de Ar Limpo, declarou que esses fundos poderiam dar força à indústria, mas que provavelmente cobririam o custo de alguns projetos.

A captura e o sequestro de carbono nunca foram demonstrados em escala comercial em uma grande usina de combustíveis fósseis, apesar de existirem dois projetos em construção nos Estados Unidos e no Canadá.

“Isso cobriria aproximadamente quatro usinas de carvão, ou oito usinas de gás”, comentou ele sobre o alcance do plano.

Como garantias de empréstimo podem demorar anos para passar pelo sistema federal, é mais provável que auxiliem novos projetos ainda no papel, em vez de propostas para captura de carbono que já estão muito avançadas em termos de engenharia e projeto, apontou Thompson.

De acordo com ele, isso significa que propostas para implantar controles de emissões a usinas elétricas movidas a gás – normalmente não muito avançadas no processo de planejamento – poderiam beneficiar bastante. 

O custo de captura e sequestro de carbono iniciou uma onda de projetos cancelados em anos recentes. Na semana passada, a empresa Tenaska Inc. anunciou planos de abandonar duas propostas de projetos de captura de carbono por causa de financiamento, seguindo os passos que a Indiana Gasification LLC e de outros desenvolvedores neste ano. A única usina de captura de carbono em construção nos Estados Unidos, com um gerador movido a carvão, é a usina Kemper, da Mississippi Power, que custa mais de US$4 bilhões.

O discurso também foi projetado para engajar mais ações de cidadãos ao apontar maneiras de pessoas se envolverem na redução de emissões. Espera-se que Obama identifique maneiras de alcançar vários grupos de interesse para envolvê-los nos projetos, inclusive pessoas religiosas. 

“Nós concordamos com o presidente Obama que para superar as mudanças climáticas será necessário que todos os americanos façam sua parte nessa grande causa de liberdade”, declarou o Reverendo Mitchell Hescox, presidente da Evangelical Environmental Network. “Como um republicano pró-vida, permita-me adicionar que nós devemos deixar de lado os partidos e nos unir para proteger a criação de Deus da mudança climática”.

Republicado de Climatewire com permissão de Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net, 202-628-6500

sciam26jun2013