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Plano de Energia Limpa salvaria milhares de vidas todos os anos

Estudo reforça benefícios do enfrentamento a mudanças climáticas para saúde 

Conselho da União Européia/Creative commons
Por Scott Detrow e ClimateWire

 

A administração Obama vem se esforçando muito para apresentar seu Plano de Energia Limpa como uma solução imediata para um problema imediato e quantificável. O presidente Obama e outros membros de alto nível da administração se concentram rotineiramente em problemas fáceis de imaginar, como a asma, em vez de exibirem a ameaça mais existencial de um planeta cada vez mais quente, conforme tentam aprovar um ambicioso plano para tornar as emissões de carbono do setor energético 30% menores que os níveis de 2005 nos próximos 15 anos.

Assim, a principal conclusão do primeiro estudo independente, revisado por pares, sobre os benefícios para a saúde pública trazidos pela regulamentação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, em inglês) provavelmente foi música para os ouvidos da administração.

“A narrativa geral é que abordar a mudança climática será custoso, e os benefícios serão colhidos durante gerações”, declara Dallas Burtraw, membro sênior da Resources for the Future e um dos coautores do estudo. “Nós observamos e percebemos que existem importantes benefícios e mudanças na qualidade do ar que são obtidos no presente, e perto de nossas casas”.

Burtraw declarou que quando o setor energético começar a se afastar de usinas movidas a carvão, e avançar na direção de fontes de energia com pegadas de carbono menores, como o gás natural e a energia eólica e solar, os benefícios de saúde começariam a se materializar imediatamente. “De fato, isso seria uma questão de dias ou semanas”, afirma ele.

Nenhum dos benefícios de saúde analisados pelo estudo, no entanto, viria de reduções nas emissões de dióxido de carbono. Por outro lado, esses benefícios seriam fruto da produção reduzida de dióxido de enxofre e outras emissões.

O estudo, publicado na Nature Climate Change, analisou três abordagens diferenças para reduzir a pegada de carbono do setor energético: uma abordagem “interna”, onde fornecedores de energia melhoram a eficiência de usinas movidas a carvão, mas não mudam sua produção para fontes alternativas; um cenário em que o setor energético utilize todos os quatro “pilares” que a EPA sugeriu, incluindo uso agressivo de programas de eficiência energética; e imposição de preço de US$43 por tonelada sobre emissões de dióxido de carbono. 

Pesquisadores descobriram que o segundo e o terceiro cenário reduziriam emissões de usinas o suficiente para evitar mais de três mil mortes prematuras todos os anos, provocadas por ataques cardíacos, doenças respiratórias e outros problemas de saúde relacionados à poluição.

Curiosamente, o primeiro cenário levaria a um pequeno aumento em mortes prematuras. Segundo Burtraw, depois de distribuidoras investirem em tecnologias de captura de carbono e outros mecanismos de limpeza para suas usinas alimentadas a carvão, “em algumas regiões, essas usinas realmente passaram a ser mais utilizadas. Com uso mais intenso, aumentaram as emissões”.

Colocando americanos ‘a bordo’ da saúde

Os resultados foram ignorados pela indústria do carvão. “Sabemos que desativar a energia com base no carvão levará a problemas na rede elétrica, incluindo apagões, brownouts e racionamentos”, declara a porta-voz da Coalização Americana para Energia Carvoeira Limpa, Laura Sheehan. “Essas interrupções não são apenas incômodos. Elas ameaçam hospitais e serviços de emergência, sistemas de saneamento e o comércio regular”.

A administração Obama, por outro lado, recebeu o estudo com entusiasmo, ressaltando que ele “fornece confirmação independente, de cientistas independentes, de que o Plano de Energia Limpa proposto pela EPA está no caminho certo”.

De fato, os resultados se adequam bem à narrativa da Casa Branca. O presidente Obama se concentrou na asma infantil quando anunciou o Plano de Energia Limpa no último verão boreal.

No mês passado, a Casa Branca voltou ao assunto dos problemas de saúde. “Há uma série de impactos sobre a saúde pública que atingirão nossos lares”, declarou Obama durante um evento sobre a mudança climática realizado em Washington, capital. “Nossas famílias ficarão vulneráveis. Não podemos nos isolar do ar ou do clima”.

Os alertas relacionadas à saúde fazem sentido, explica Christopher Borick, dirigente do Instituto de Opinião Pública do Muhlenberg College, e autor de extensas pesquisas sobre problemas ambientais. “Ainda que americanos aceitem a realidade da mudança climática, eles continuam a dar-lhe pouco destaque como um problema a ser resolvido”.

“Quando pensamos sobre assuntos de saúde pública, como a asma ou quaisquer problemas respiratórios que muitos americanos enfrentam, percebemos que eles são reais e imediatos”, adiciona Borick. “As ameaças das mudanças climáticas são maiores e potencialmente devastadoras mas, para muitos indivíduos, continuam abstratas. Quanto mais os indivíduos pensarem sobre problemas de carbono e de combustíveis fósseis usando a lente da saúde pública, mais provável é que eles se juntem aos esforços para reduzir emissões”.

Então você pode esperar ouvir mais sobre esse relatório da Casa Branca enquanto a administração se prepara para publicar suas últimas regulamentações neste ano.

 

Reimpresso de Climatewire com permissão de Environment & Energy Publishing, LLC.


Publicado por Scientific American em 06 de maio de 2015.